Tuesday, September 26, 2006

Reforma não é só política e tributária, é educacional também

A Exame deste mês tem como tema central a educação no Brasil como um dos maiores (senão o maior) fator que entrava o crescimento no Brasil.. A matéria da revista está embasada no estudo que o Banco Mundial realizou sobre o tema. Segundo o estudo, dentre os principais países emergentes (incluem-se aí nossos amigos China, Índia, México, Rússia entre outros) o Brasil é o pior colocado. Temos aqui a maior taxa de analfabetismo 13%), a menor média de escolaridade da população (5 anos), a menor participação de mão-de-obra especializada na força de trabalho (9%), a maior repetência no ensino fundamental (21%) e a menor qualidade do ensino de ciências e de matemática.


Lembram do artigo sobre competitividade ? O Brasil foi classificado pelo ranking da Fiesp número 38 de um ranking de 43 países. O que este estudo do Banco Mundial demonstra é que o baixo crescimento do país (ou seja, sua falta de competitividade) está altamente relacionado à baixa qualidade de ensino. Embora o estudo do Fiesp tenha demonstrado que o Brasil melhorou o índice IDH e indicadores de educação como taxas de matrícula, alfabetização e escolaridade, essa melhora ainda é insignificante frente ao desenvolvimento dos outros países.


Conclusões do estudo São duas as principais conclusões que chegamos ao ler o artigo da Exame: (1) o brasileiro passa muito pouco tempo na escola e (2) ainda que o brasileiro passe mais tempo na sala de aula, ainda precisa efetivamente transformar isso em aprendizado. O brasileiro estuda em média 5 anos. Segundo a revista, estima-se que se os brasileiros permanecessem na escola os 12 anos que os americanos, a renda nacional seria mais que o dobro da atual.


Fica a questão, como melhorar? O que fazer? Fora o óbvio que é melhorar a qualidade da educação nas escolas e investir mais, nos deparamos com outros problemas de mesma importância: para arranjar um emprego, ainda só é preciso ler e escrever. Para que cursar então, o ginásio e o colegial? Não é por acaso que a média de anos de estudo no Brasil é de 5 anos. É preciso reestruturar a educação no Brasil, ensinar a aprender e a estudar como é o sistema americano.


O dilema tostines Denise Neumann do Jornal Valor Econômico descreve bem o dilema da educação no Brasil: "Dois movimentos simultâneos vão mudar essa correlação de forças: mais crescimento e mais educação. Mas é quase um dilema de "tostines", pois elevar o nível de qualificação da população e da mão-de-obra é fundamental para que o país possa elevar seus níveis de produtividade e crescer mais. Ao mesmo tempo, sem mais crescimento, não serão gerados empregos na velocidade suficiente para evitar que a renda média de 8 milhões de famílias continue inferior a um salário mínimo - hoje, R$ 350."


O contraste Enquanto o artigo da Exame fala sobre a dificuldade que empresas como a FNAC, Atento, entre outras possuem para conseguir contratar profissionais qualificados, na mesma revista Exame, algumas páginas adiante há uma entrevista com Aguinaldo Ricieri. Ricieri tem 49 anos, é graduado em física pela USP e engenharia aerospacial no ITA e cobrou 3 milhões de reais pela sua última consultoria. O segredo? Ele usa cálculos matemáticos avançados para solucionar problemas do cotidiano, identificando com precisão a maneira exata de produzir, transportar ou desenhar um produto. Ricieri ajudou a Petrobrás a desenvolver um combustível que deixasse menores resíduos, a Vale a diminuir a emissão de polientes de torres de minérios de ferro e atualmente trabalha no aperfeiçoamento da logística de uma usina de etanol. Alguém ainda tem dúvida do poder da educação?


Veja também:



Powered by Qumana


Thursday, September 21, 2006

Fundamentalistas e Grafistas

A Bovespa fechou ontem em queda de 1,92%, entre outras coisas, reflexo das notícias de corrupção envolvendo o partido do presidente Lula. Já na terça, dia 19, Miriam Leitão na rádio CBN dizia que o ambiente econômico, embora estável, era abalado pela "penumbra" criada sobre o país, o que os economistas chamam de crise de credibilidade. "Existe uma intranqüilidade do mercado em relação ao cenário político interno", afirma Tommy Taterka, operador da corretora Concórdia. "Os investidores estrangeiros continuam deixando o país, porque, se Lula ganhar --o que é o mais provável--, continuará no poder o partido cujos integrantes têm sido envolvidos nas denúncias."

Frente a tudo isso, o que o pobre investido pode fazer? Existem duas correntes de análise de ações utilizadas no mercado: a fundamentalista e a grafista, que veremos um pouco mais a seguir.


Fundamentalistas Os fundamentalistas se preocupam com os dados reais da empresa, como produtividade, modernidade da planta, mercado de seus produtos, inserção na economia internacional, nível de endividamento, capacidade de crescimento dadas as expectativas macroeconômicas do país. Estas avaliações todas devem ser quantificadas, ou seja, avaliadas em números, que devem refletir crescimento esperado e comportamento das receitas e despesas. Com base então em dados concretos, avaliados de forma subjetiva, porém metodológica, o analista pode estimar quanto a ação deverá estar valendo num período qualquer.


Grafistas Avaliam o que se deve esperar de uma ação a partir de seu desempenho passado, e a partir de uma suposta repetição de padrão de comportamento que ocorre com qualquer ativo financeiro. Estes analistas tomam suas decisões de compra e venda de ativos apenas olhando o comportamento dos gráficos. Este instrumento é muito utilizado para as operações de daytrading, onde o investidor trabalha com uma posição vendida/ comprada e ganha dinheiro neste curtíssimo prazo. Após breve análise, o grafista define qual o ponto em que deve vender ou comprar a ação e ganha nesse intervalo. Como todo investimento, cautela é a palavra de ordem e, mesmo para os mais empolgados, recomenda-se utilizar essa ferramenta com cuidado e amparar-se em outras ferramentas.


E agora? Fundamentalistas ou grafistas, a opinião sobre a situação atual é a mesma: atenção. Segundo o site Infomoney, o momento é de indefinição para o índice Ibovespa, que tem oscilado entre a resistência do 38 mil pontos e o suporte em torno do patamar dos 35 mil pontos. Lembram-se que os mais otimistas previam que o Ibovespa ia fechar o ano a 50.000 pontos se continuasse no mesmo ritmo do primeiro semestre? Pois é, hoje os fundos de investimentos com gestores mais conservadores projetam que o Ibovespa fechará o ano a 32.000 pontos...

Veja também:

Tuesday, September 19, 2006

Golpe na Globalização

Dias atrás (20/09), ficamos sabendo através dos jornais sobre o Golpe de Estado na Tailândia. Parece um país tão pequeno ... mas que causou grande impacto negativo nas bolsas ao redor do mundo! Mas porquê? Bem, vivemos num mundo cada vez mais interligado, onde os países fazem parte de um longa cadeia de fornecimento. Cada qual em sua especialidade, onde empresas investem bilhões de dolares para tirarem o máximo proveito das oportunidades e poderem entregar a você consumidor um produto ou serviço que satisfaça suas necessidades. A Tailândia, por exemplo, é um fornecedor de componentes eletrônicos para computadores pessoais da gigante Dell. Pode ser que seu microcomputador possua um Hard Disk da marca Hitachi (gigante japonesa) fabricado lá mesmo, na Tailândia. Quando um elemento da cadeia tem algum problema, todo resto tende a sofrer um efeito "chicote", gerando desconfiança por parte de quem investe. Em um mundo globalizado, todos os participantes do jogo devem estar cientes de seu papel e de como seu comportamento pode influenciar o resto dos participantes e a si próprio. O pior para o país participante do jogo é de ficar fora de várias jogadas por muito tempo. Isto significa que seu crescimento será menor ou nulo e que não haverá prosperidade para sua população. Não haverá dinheiro também para se investir em educação dos jovens e logo não formará uma mão-de-obra de alto nível para o mercado de trabalho. É um efeito em cadeia.
Turbulências

O processo de globalização continua sim, apesar das turbulências e é inevitável, porém existem algumas forças que poderão fragilizá-lo, uma vez que se encontra atrelado ao processo de democratização. São desafios à Governabilidade.

Desigualdades sociais e falta de oportunidade formando uma grande população de jovens descontentes. Governos que tendem a suprimir as discordâncias através do autoritarismo para manter a ordem, fomentando o surgimento de novas insurgências.

O forte nacionalismo e uma tendência de populismo desafiarão a Tailândia, Laos, Birmânia, Camboja, que não tem dado conta das crescentes exigências populares e por isso correm o risco de fracassarem como Estados.
A identidade religiosa radical com a proclamação de um novo califado poderia fomentar ainda mais conflitos, com uma nova geração de terroristas, quer sejam muçulmanos ou não. Uma nova onda de insegurança global se faria presente.


Este incidente na Tailândia nos faz refletir sobre países latinos como Bolívia, Venezuela e em nós mesmos, nossas necessidades de crescer e construir um páis melhor para nós e para todos os jovens que hoje sonham em prosperar e como alerta para tirar do ostracismo aqueles que ficaram apáticos à sociedade.

Veja também:

Prêmio Nobel de Economia ataca fundamentalistas do mercado
Exército dá Golpe de Estado na Tailândia

Livro

O Relatório da CIA - Como será o mundo em 2020

Friday, September 15, 2006

A Cauda Longa

Afinal, o que é a tal da "Cauda Longa" É um termo estatístico para identificar distribuições de dados onde o volume de dados descresce ao longo do tempo, durante um período longo. Este termo foi utilizado pela primeira vez em relação ao consumo, por Chris Anderson em 2004 em em um artigo da revista "Wired" e aplica-se à internet, à transação de músicas pela rede, aos vastos nichos da chamada nova economia.
Segundo Anderson, produtos que possuem uma baixa demanda ou volume baixo de vendas podem, em conjunto, formar um market share equivalente ou mesmo superior aos campeões de venda, desde que o canal de distribuição seja grande o suficiente. O varejo tradicional em lojas concentra-se em vender os itens mais populares, pois não é possível ter em estoque cada um dos milhões de livros, CDs e DVDs que é produzido. Os varejistas on-line, no entanto, não precisam preocupar-se com espaço de prateleira limitado; despachando os produtos para os clientes diretamente dos grandes armazéns espalhados pelo mundo, podem anunciar e vender o milionésimo título mais popular tão facilmente quanto o número um dos mais vendidos. O acesso a essa longa cauda de vendas de baixo volume se converte em uma quantidade imensa de renda.
O caso Amazon.com e um exemplo brasileiro Ainda de acordo com Anderson, a maior parte das vendas de livros da Amazon.com vem de fora dos seus títulos principais. Suas prateleiras virtuais possuem cerca de 3,7 milhões de livros diferentes, diferentemente de uma livraria convencional. Um estudo feito com a Amazon mostrou que, por ter uma “prateleira” maior de livros à venda, o faturamento dos livros menos polulares (fora dos 100 mil principais títulos) representava em torno de um quarto da receita. Daí a razão de haver tanta discussão sobre o assunto. Nas empresas convencionais, segundo a Regra de Pareto, 20% dos produtos representam 80% do faturamento. Se a loja é uma livraria, sabemos que o último livro de Paulo Coelho representa uma boa parte do faturamento, portanto é totalmente racional que o dono da livraria deixe um espaço maior (do já limitado espaço) para este lançamento.
Já falamos da Amazon, agora está na hora de falar de um exemplo brasileiro: a Livraria Cultura. Quem visitou o site on-line já viu: tem de tudo: livros de arquitetura, de negócios, de pintura. E vende também o Paulo Coelho. Em inglês, francês, alemão e italino. Ela cresce porque vende Paulo Coelho, best-seller assegurado, mas também porque mantém em estoque os livros menos demandados, atendendo a nichos diferenciados.

Será o fim dos hits? Qual a vantagem de possuir esses pequenos produtos no seu catálogo? Por mais que o conceito seja utilizado na chamada Nova Economia, ele se apóia em um conceito para lá de antigo: o custo de manutenção de um produto muito procurado é igual ao custo de manutenção de um produto procurado apenas por um número mínimo de consumidores. Para quem ainda não entendeu, veja o YouTube: o custo de colocar um hit é o mesmo de colocar aquele vídeo da sua formatura de colegial que só interessa a você, seus familiares e alguns colegas de escola. Ótimo sinal, pois isso indica que o mercado pode deixar de ser massificado para, de agora em diante, diversificar. Em uma era sem problema de espaço nas prateleiras e sem gargalos de distribuição, produtos e serviços segmentados podem ser economicamente tão atrativos quanto produtos de massa.

Tudo bem, a teoria é interessante, mas uma pergunta paira no ar: será que a cultura de nichos vai acabar com o hits? O próprio Anderson responde a pergunta: "Algumas pessoas que analisaram a teoria disseram que seria o fim dos hits, mas elas se enganaram. O livro não diz isso. O que digo é que o monopólio dos hits está comprometido. No século 20 havia os hits ou nada, no século 21 teremos os hits e os nichos. Os hits irão competir com milhares de produtos de nicho, mas sempre teremos hits. A conseqüência é que os mercados serão mais diversificados
e cada vez menos concentrados. "
Veja também:

Wednesday, September 13, 2006

Bancos - faturando com as tarifas

Todos nós temos conta em algum banco e pegamos taxas do momento da abertura da conta até o seu fechamento. Durante o tempo que a conta está aberta, nos são cobradas taxas (tarifas) para todo o tipo de serviço e até alguns que desconhecemos e nos obrigam a ficar ligando para nossos gerentes e pedindo explicações. Bem, quando isto começou? Essas tarifas foram instituídas em 1994, quando a estabilidade econômica eliminou os ganhos dos bancos na ciranda financeira e essas taxas crescem continuamente. Os banqueiros ficaram muito felizes, pois descobriram poderiam oferecer uma quantidade enorme de serviços e cobrar por eles (um extrato é um serviço!!!). De acordo com um levantamento feito pela consultoria Austin Rating para a revista DINHEIRO mostrou que as receitas dessas taxas aumentaram 1.084% em cinco dos maiores bancos.

Alguns dados sobre o faturamento de 1994 a 2005

Bradesco
1994 - R$510,8 milhões
2005 - R$7,34 bilhões

Banco do Brasil

1994 - R$1,02 bilhão
2005 - R$7,64 bilhões

Unibanco

1997 - Saldou toda sua folha de pagamento com o dinheiro das tarifas.

Próxima fronteira
Além de criarem mais e mais serviços, os bancos também continuam agressivos no aumento da base de clientes. Na outra ponta, fazem de tudo para cortar seus custos nas agências e nos processos internos, aumentando sua lucratividade. Por outro, lado oferecem a internet banking, onde o custo da transação é baixíssimo e não pagamos para acessá-lo. Problemas de segurança a parte, todos nós preferimos utilizar o Internet banking para os mais diversos serviços porque é mais prático, não temos que ficar bufando nas filas das agências. Além disso, muitos serviços e produtos diferenciados podem ser adicionados ao internet banking e até mesmo plataformas diferentes (além do seu computador pessoal) para que você tenha o seu "banco no bolso" com os serviços para mobiles. Mas fique atento, porque parece que esta fronteira também será taxada. God save the Queen!!!


Veja também:

Saturday, September 09, 2006

Brasil - número 38 no ranking de competitividade

Essa semana gostaria de comentar um pouco sobre o ranking de competitividade elaborado pela Fiesp com 43 países, onde o Brasil se encontra atualmente na posição de número 38 (na frente apenas de Filipinas, Colômbia, Turquia, Índia e Indonésia). Embora todo estudo esteja passível de críticas, acredito ser de extrema importância colocarmos em pauta o assunto "competitividade", principalmente em tempos onde a falta da mesma causa demissões em massa como na Volks.
A defininição da Fiesp sobre competitividade é : "Competitividade é a capacidade de um país de criar condições para que as empresas nele instaladas produzam o maior bem estar possível para seus cidadãos e que façam-no crescer ao longo do tempo em relação ao dos cidadãos de outros países. Envolve, portanto, um conjunto de fatores que devem ser orientados à construção de vantagens competitivas, tais como: Economia Doméstica, Governo, Capital, Infra-Estrutura, Tecnologia, Comércio Internacional, Empresarial e Capital Humano."

Para atribuir notas aos países, o índice avalia 83 indicadores de 43 economias. Os 83 indicadores avaliam desde a situação econômica doméstica e o grau de abertura comercial até as condições de financiamento privado e público e os indicadores sociais. Segundo o diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, a valorização da taxa do câmbio, a alta carga tributária e os juros elevados foram os responsáveis pelo baixo resultado do país. Mesmo assim, o Brasil conseguiu subir um degrau no ranking (no ano passado estava em trigésimo nono lugar) devido a um incremento no comércio internacional, que vem crescendo nos últimos anos. Entre os fatores que contribuíram para esse novo cenário, Roriz destaca a diminuição dos spreads bancários, o leve aumento da produtividade na indústria e na agricultura e os investimentos – estes, no entanto, ainda bem aquém da média dos países selecionados. Embora os spreads e os juros venham caindo, seu valor ainda é superior em relação aos países analisados. Os juros para empréstimos de curto prazo, em 2004, oscilaram em torno de 54,7, ante 6,3% dos países que integram o Índice. Mesmo no bloco das nações menos competitivas, do qual o Brasil faz parte, essa média oscilou em 11,3% ao ano. “A utilização de juros altos como único instrumento de combate à inflação tem sérias conseqüências sobre a competitividade: inibe o desenvolvimento do crédito, e conseqüentemente, o investimento privado”, explicou Roriz.
O estudo ainda analisa os principais fatores de competitividade e chega à seguinte conclusão em relação o Brasil:
    • Ambiente de negócios: tem sido marcado pela instalibilidade, alto custo, e portanto, baixa expectativa de crescimento, o que inibe investimentos e reduz gastos sociais;
    • Comércio internacional: melhora na balança comercial com predominância de commodities (fruto de vantagens comparativas) e manufatura de baixo valor agregado;
    • Produtividade: dadas as baixas taxas de crescimento da produtividade total e principalmente industrial, o gap frente aos países de competitividade elevada tem aumentado, e estamos sendo alcançados pelos países selecionados (República Tcheca, Hungria, Polônia, Rússia, Coréia, Tailândia, China, Malásia, Índia, Indonésia e Africa do Sul);
    • Recursos Humanos: significativa evolução do IDH e indicadores de educação: taxas de matrícula, alfabetização e escolaridade;
    • Tecnologia: gastos em P&D maiores que a média dos países selecionados e crescente participação de high-tech na pauta, embora menor que nos países selecionados; e
    • Infra-estrutura: apesar de melhor que dos países selecionados, encontra-se muito defasada em relação aos países competitivos.

O curioso é que, aliado a este resultado, no dia 06 de setembro o Banco Mundial divulgou os resultados de uma pesquisa em que classifica o Brasil como o quarto pior país para realizar negócios na América Latina. O Brasil é o país latino-americano onde mais demora para se abrir um negócio: em média 152 dias, prazo este cinco vezes o necessário no México ou no Chile. Entre os países da América Latina, o Brasil também é o país onde se paga a maior quantidade de encargos trabalhistas e onde se gasta mais horas do ano pagando impostos. Em média, uma empresa gasta 2,6 mil horas por ano envolvida com as burocracias de pagar taxas, mais de quatro vezes o tempo necessário na Argentina.

Hoje eu lia uma matéria na Veja sobre comportamento que dizia que não é possível definir a personalidade de uma pessoa somente pelo DNA ou somente pelo ambiente de criação. Estes dois fatores são, na realidade, inseparáveis e fundamentais na formação de nossa personalidade. O mesmo ocorre com a competitividade: não é possível dizer que seremos mais competitivos somente cortando taxas de juros e spreads bancários, mas sim por meio de ações conjuntas: investimento em infra-estrutura, educação, câmbio competitivo entre outros fatores. Embora cada um seja fundamental, não é fácil definir o quanto cada um influi na "personalidade" de nossa Economia e qual a prioridade.

Dica para o Estudante:

Tuesday, September 05, 2006

Vôlei - Lição de Planejamento


Vocês acreditam que somos Hexacampeões? Não estou louco, somo hexacampeões!!! E no vôlei!!! Esqueçam o futebol de estrelas milionárias que mais pareciam baratas tontas nos jogos da Copa do Mundo da Alemanha. Foi mérito só dos jogadores? Do técnico? Não, isso ajudou mas as vitórias conseguidas e o sucesso alcançado foi devido a Liderança e Planejamento.

Se analisarmos a estrutura do empresa, isto é, da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), veremos que temos pessoas extramente competentes e focadas em seu negócio, como nas grandes empresas. O presidente da CBV, Ary Graça Filho, foi jogador e depois fez carreira no mercado financeiro onde ganhou o título de presidente de honra do Instituto Brasileiro de Executivos em Finanças!

35 milhões de Reais é o que movimenta o negócio do Vôlei no Brasil.

Como a CBV trabalha?

Nessa estrutura onde o Ary Graça seria o Presidente da Empresa, seus técnicos (Bernardinho e José Guimarães) seriam seus CEOS. Eles são os responsáveis pelo treinamento e motivação da equipe e por achar diferenciais que mantenham o grupo no topo do ranking. Sua empresa é assim? Além disso, são responsáveis em conjunto por Inovação! Exemplo: criam equipamentos específicos para avaliar as condições físicas dos atletas. As inovações fazem parte de uma administração muito bem planejada. Talvez seja esse o grande trunfo do vôlei, o planejamento de negócios, nos moldes do que é feito em uma multinacional. E ele começa com o objetivo. Há cinco anos, a CBV decidiu que chegaria ao pódio em todas as competições que disputasse, do infantil ao adulto – e cumpriu a promessa. E isso só foi possível graças à sinergia entre a parte administrativa e técnica. Ou seja, elas se complementam, mas uma não interfere no trabalho da outra.

MERITOCRACIA

A CBV possui olheiros (head-hunters) que cuidam da renovação dos atletas. Seus olheiros, os “head-hunters”, acompanham os campeonatos regionais e caçam talentos, que são encaminhados para o centro de treinamento de Saquarema (RJ). Os "aprendizes" que passam na peneira ficam cinco meses no local, que conta com 200 leitos, academia de ginástica, aulas de inglês e espanhol e, é claro, muitas quadras para fazerem o que mais gostam: jogar vôlei. Esses aspirantes ao estrelato têm muitas jogadas pela frente antes de atingirem as pequenas mordomias dos atletas top de linha. “Os benefícios são conquistados com méritos”, diz José Fardim, superintendente da CBV. Portanto, quem chega em Saquarema pela primeira vez divide o quarto com seis pessoas. Já os atletas da seleção têm direito a quarto duplo. E, como os custos são controlados, só os campeões olímpicos podem viajar de primeira classe nos aviões. Mordomia? Não. Meritocracia, um conceito tão comum nas empresas modernas.

Veja também:
Bernardinho

Thursday, August 31, 2006

COPOM corta a SELIC em 0,5% e PIB cresce somente 0.5% no segundo trimestre

O assunto em voga na quarta-feira dia 30 de agosto, última reunião do Copom antes das eleições, foi o corte da taxa de juros SELIC em 0,5%. A surpresa vem do fato de que o Banco Central havia sinalizado em sua última reunião da ata do Copom, "maior parcimônia" (para quem não entendeu, parcimônia quer dizer moderação). O processo de redução da taxa de juros começou em setembro do ano passado, sendo que na época, a Selic passou de 19,75% para 19,5% ao ano. Embasados na "parcimônia" do governo, analistas projetaram em sua maioria uma queda de 0.5 ponto percentual na SELIC (pesquisa da Reuters na semana passada mostrou que 16 de 20 analistas projetavam redução de 0,25 ponto percentual. Os demais previam corte de 0,5 ponto). O fator que mais justifica o menor conservadorismo do Banco Central é a tendência de queda da inflação que deve ficar abaixo da meta de 4.5% estipulada.

A queda na taxa de juros é um assunto polêmico e sua queda é defendida fortemente pelos setores do comércio, indústria e sindicatos. No entanto, a decisão não agradou a setores do comércio, indústria e sindicatos. A Fiesp considerou a queda como uma manutenção "do seu ritmo tímido e não compromissado com crescimento já". Apesar de aplaudir as sucessivas quedas na Selic, o presidente da Fecomercio diz que o varejo ainda espera uma ação do governo que amplifique a competição entre os bancos e permita reduzir os juros para o consumidor e para as empresas. O presidente nacional da CUT disse que "o Copom permanece insensível aos apelos dos trabalhadores e mantém a política conta-gotas que o caracteriza". Para o sindicalista, a redução de 0,5 ponto é tímida. O presidente da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, Juruna, disse que o governo voltou a "decepcionar o movimento sindical, cujos dirigentes aguardavam uma intervenção radical para diminuir a taxa Selic e assim reativar a economia e iniciar o processo rápido de geração de emprego e renda".
Aliado a tudo isso, foi divulgado pelo IBGE que o PIB registrou uma expansão de 0,5% no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses deste ano, dempenho este o pior desde o terceiro trimestre de 2005. Segundo a Folha de São Paulo, diversos representantes do governo atribuíram a queda na atividade industrial e no comércio a fatores pontuais no segundo trimestre ao número menor de dias úteis e a paralisações em razão de jogos da Copa do Mundo e de greves. Analistas do mercado, no entanto, reforçam que a taxa de investimentos aquém da necessária ainda é o principal fator a inibir um crescimento econômico mais vigoroso no país. Além disso, houve o efeito da apreciação cambial sobre as empresas exportadoras. Conforme Elson Teles, economista-chefe da Concórdia Corretora de Valores, lembra 'Há que se reconhecer o papel desempenhado pela forte apreciação cambial no primeiro semestre (15% sobre o mesmo período do ano passado), tendo em vista que tal situação tem influenciado negativamente o faturamento das firmas exportadoras, provocado maior substituição de produção doméstica por produtos importados e diminuído a capacidade de investimento dessas empresas.'
Embora o Bacen, às vésperas da eleição tenha mostrado uma postura um pouco menos conservadora em relação às taxas de juros, este comportamento se explica principalmente devido as perspectivas positivas em relação à meta de inflação. Isso demonstra que o governo ainda está extremamente preocupado com o controle da inflação e pouco preocupado com o crescimento. O ministro Guido Mantega continua otimista e diz que mantém a previsão de crescimento de 4%. Para ele, a desaceleração na Economia deve-se a Copa do Mundo em junho, os atos praticados pelo PCC, afetando principalmente o comércio e greve dos fiscais da Receita Federal. A lição disso tudo não é descobrir quem são os culpados pelo recuo, mas projetar para o futuro um crescimento mais agressivo.
------------------------------------------------------------------------------------------------

DICA PARA O ESTUDANTE:

Este blog também é muito visitado por estudantes de Economia, por isso àqueles que queiram entender um pouco mais sobre os efeitos de uma redução na taxa de juros, segue um trecho de um Especial publicado no site da Folha de São Paulo. Também aconselho o acompanhamento no site do Bacen das atas do Copom e o entendimento do Sistema de Metas de Inflação. Para os economistas ortodoxos, tentar entender como funcionam ferramentas como a IS-LM neste caso.

"A redução dos juros, o Banco Central diminui a atratividade das aplicações em títulos da dívida pública. Assim, começa a "sobrar" um pouco mais de dinheiro no mercado financeiro para viabilizar investimentos que tenham retorno maior que o pago pelo governo.É por isso que os empresários pedem corte nas taxas, para viabilizar investimentos.

Nos mercados, reduções da taxa de juros viabilizam normalmente migração de recursos da renda fixa para a Bolsa de Valores. É também por esse motivo que as Bolsas sobem em Wall Street ao menor sinal do Federal Reserve (BC dos EUA) de que os juros possam cair.Quando o juro sobe, acontece o inverso. O investimento em dívida suga como um ralo o dinheiro que serviria para financiar o setor produtivo."

------------------------------------------------------------------------------------

Monday, August 28, 2006

O que eles querem e o que nós queremos

Há 2 semanas, a revista IstoÉ publicou uma matéria de capa onde questionava o que os candidatos a Presidente do Brasil propunham quando eleitos. Pensei em cfalar um pouco sobre o plano de cada um destes candidatos em relação à Economia que, afinal de contas, é nosso assunto preferido aqui no blog e comparar com o que o eleitor está procurando. Só que me deparei com um problema: ao procurar pelas razões pelas quais os eleitores decidiam votar por candidato x ou y, o que descobri é que o eleitor não sabe o que quer!
Em julho deste ano, o instituto Datafolha indagou aos eleitores que têm um candidato a presidente se votam nele porque se trata do candidato ideal ou por não haver melhor opção. Entre os que votariam em Lula naquela época, 59% afirmam que ele é o candidato ideal, e 36% dizem que não há opção melhor. Entre os que têm intenção de votar em Alckmin, 50% afirmam que ele é o candidato ideal, e 47% declaram que não há outra opção. A maior parte (51%) dos eleitores de Heloísa Helena justifica seu voto dizendo que não há opção melhor entre os candidatos a presidente. A pergunta fica no ar: será que votamos nos candidatos por que oferecem as melhores soluções ou por que não há opção melhor? A revista Veja desta semana publicou um especial sobre as eleições 2006 em que apurou que, se não fossem obrigados a votar, 6 em cada 10 eleitores deixariam de fazê-lo. Esta eleição, segundo o Ibope, é percebida por 53% dos eleitores como "menos animada" que as anteriores principalmente devido a falta de interesse e denúncias de corrupção. Na última pesquisa efetuada pelo instituto, 90% dos eleitores disseram não confiar nos políticos.
Com o intuito de ajudar o leitor a tomar uma decisão mais embasada, publicaremos alguns links e matérias que foram veiculadas recentemente sobre os 2 principais candidatos à Presidência.
Revista IstoÉ: "O presidente-candidato Lula já deu ordens a seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, para que faça, a partir de agora, uma calibragem com efeito para o próximo ano: um pouco mais de crescimento, no patamar de 5%. Como? Com reduções pontuais nos impostos para as microempresas e para setores estratégicos da economia. "
Revista Veja:
"O programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um eventual segundo mandato deverá priorizar o crescimento econômico, a inclusão social e a expansão do emprego, mas sem estabelecer metas numéricas para todas essas áreas. O documento deverá também fazer duras críticas ao governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso, e destacar vulnerabilidades dos rivais. (...) Da mesma forma, o programa de 2002 prometia 10 milhões de empregos, o que não será cumprido até o fim do ano - assim, Lula se comprometerá com a redução do desemprego sem falar em números. "Ele já manifestou preferir crescimento moderado e permanente com distribuição de renda. Não dá para ter China como um parâmetro", diz o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro.
Um dos poucos pontos em que as metas incluem números é a educação, tema classificado de prioritário - Lula faria promessa de elevar os investimentos no setor para 6% do PIB (hoje são 4,5%). A reforma política é outra das prioridades, com as medidas já defendidas publicamente por Lula - fidelidade parrtidária, financiamento público de campanha e outras mudanças no sistema."

Agora vejamos o que a imprensa tem dito sobre o candidato Alckmin:

Revista IstoÉ: "O tucano Alckmin promete cortar gastos com um rigoroso enxugamento e racionalização da máquina pública. Avalia, por exemplo, que poderá economizar R$ 4 bilhões só com a implantação de compras por pregão eletrônico. Assim, terá margem para reduzir impostos. Alckmin quer criar o Simples Trabalhista para as pequenas empresas e unificar o ICMS e o IVA nos Estados. “A carga tributária precisa ser do tamanho dos gastos públicos”, lembra Everardo Maciel, da equipe de Alckmin. "
Revista Veja: "O candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, vincula o desempenho econômico do país às denúncias de corrupção no governo Lula. Segundo o tucano, caso se confirme um resultado ruim do PIB (Produto Interno Bruto) nos primeiros seis meses deste ano, será "um sinal vermelho para o país". "Enquanto a gente não tirar essa praga da corrupção, o Brasil não vai para frente", disse nesta segunda-feira, em campanha na Grande São Paulo. "A corrupção espanta crédito, espanta investimento, desestimula a todos, cria um clima horrível porque não há segurança nas instituições".

Thursday, August 24, 2006

Pedágio na Internet?

Você já se imaginou pagando pedágio às grandes telecoms, que possuem a infra-estrutura de acesso e tráfego na internet, para ter acesso mais rápido às páginas que você normalmente utiliza atualmente de graça? Ou que se você não pagar, terá um acesso lento ao conteúdo (págs) que gosta de ler frequentemente?

Pois é, a nossa internet que nasceu num meio acadêmico, tem um modelo de funcionamento na qual as informações trafegadas na rede são iguais a todas as pessoas e de acesso grátis. É o que eles chamam de princípio da neutralidade. Porém, grandes empresas de telecomunicações americanas, como AT&T e Verizon, tem pressionado o congresso americano para realizar "reformas" da lei de telecomunicações, querendo o direito de oferecer acesso rápido a quem pagar por ele, estabelecendo a hierarquia de tráfego na rede. Isso soa estranho?

Essas empresas já conseguiram que uma emenda fosse retirada desta lei. Adivinhem qual? O princípio na neutralidade. Esta legislação ainda terá que ser aprovada pelo Senado americano.
Logo, podemos entender que a falta do princípio da neutralidade permitirá que empresas de telecomunicações facilitem ou dificultem o tráfego na rede, de acordo com o pedágio (pagamento de taxas). Este pedágio daria acesso a vias expressas na internet.

Muitas empresas criaram seu modelo de negócios baseados numa internet livre e sem pedágio, como Google, Yahoo, Amazon, etc. Elas seriam prejudicadas pois dependem dos usuários que trafegam livremente, acessando páginas na rede e fazem parte de sua receita. Por outro lado as empresas de telecom possuem vários argumentos onde afirmam que gastam muitos milhões com infra-estrutura (fibra óptica); redução de empregos; aumento das chamadas telefônicas via rede (VOIP), etc.

Isto está acontecendo nos Estados Unidos, mas é onde encontramos os principais sites de acesso e por onde trafegam páginas do mundo inteiro (pela distribuição dos servidores). Logo, tarifando esta ponta, o mundo todo e não só o Brasil, será a afetado.

O que acham disto?

Veja mais em:
Novas leis nos EUA poderão cobrar "pedágio" na internet
Gigantes de telecom dos EUA querem cobrar pelo acesso à rede ...
Salve a Internet

Monday, August 21, 2006

Reforma Política

Em época de eleição, com a propaganda eleitoral a todo vapor, comícios, debates e visitas dos candidatos, não tem como não falar de política no blog. Eu, particularmente, sou adepta da idéia de que temos que ter o máximo de informações possíveis para tomar uma decisão que não é pequena e não é fácil. Não é fácil, neste país de surpresas, dizer o que vai e o que não vai dar certo. Por exemplo, o Plano Real, brilhantemente concebido e executado. O Plano Real não é só um exemplo de que existem economistas, políticos e estudiosos competentes no país, mas também é uma demonstração de que o Brasil tem jeito sim e pode dar certo. Como dizem por aí, é só saber aproveitar a hora certa.
Há algumas semanas, eu lia a revista Época e me deparei com uma entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na entrevista, FHC reforça a idéia de que é mais do que necessário fazer uma reforma política, mas teme que a mesma somente aconteça em situação de crise, como foi com o Plano Real. "O Plano Real só funcionou porque estávamos em crise. Na crise, você tem espaço se tiver liderança." Se não houver convergência de governo e oposição em torno da reforma política, diz o ex-presidente, o risco é haver uma cisão política no país. "Quando se divide um país, leva muito tempo para restabelecê-lo", afirma FHC. A reforma seria, portanto, o principal desafio do próximo presidente, seja ele de qual partido for.
A revista questiona o ex-presidente dizendo que a base do governo atual e do anterior é muito parecida, ao que FHC responde: "O Luiz Werneck Viana (cientista político) disse que o problema do Brasil é saber quem comanda o atraso: PT ou PSDB. Mas agora quem está no comando é o próprio atraso. O problema deste governo não foi a base. A base é a mesma. Só que o Lula não manda nada. Para comandar, você precisa saber para onde vai. Mas a sensação é que eles não sabem. O projeto deles é o nosso. Talvez nem haja outro, porque a História não tem projeto novo a todo momento. Mas então que eles assumam e parem de ficar fingindo que é herança maldita. Claro que, se o Lula for eleito, a eleição dá energia política. Mas o Lula não tem paciência para esse jogo. Lula mais conversa com o país que administra ou faz política. Ele é mais simbólico que efetivo. E, se exagerar muito no simbólico, fica sem comando. "
A Reforma Política sem dúvida é polêmica. Para fazê-la, precisamos responder a uma série de questões: quando fazê-la? Quem vai comandá-la? Como fazê-la? Fernando Henrique tentou responder a última pergunta da seguinte maneira: "Reforma política é reforma do sistema eleitoral. Tem de botar o voto distrital no Brasil, porque precisa haver uma relação mais próxima do eleito com o eleitorado. Hoje, não há nenhuma. Quem vota não sabe em quem votou e quem foi eleito não sabe por quem foi votado. Falam em instituir o sistema do recall no Brasil (o mecanismo americano por meio do qual os eleitores podem cancelar um mandato e convocar novas eleições). Mas como? Recall só pode existir quando um distrito que votou no candidato não o quer mais. No Brasil, ninguém sabe em quem votou. É preciso buscar uma forma de identificação, de laço. Eu era favorável ao voto distrital misto. Agora quero o voto distrital puro. O misto se justificava por causa das minorias, como os partidos comunistas e os verdes. Mas esses partidos vão desaparecer com a cláusula de barreira e vão se misturar aos outros. Então, para que misto? Vai direto para o puro. Pode começar pela eleição para vereador em 2008.
Há quase 2 anos, o filósofo Hélio Schwartsman publicou um editorial intitulado "Da Reforma Política". Schwartsman demonstrou preocupação sobre o voto distrital citado por FHC. Segundo suas próprias palavras: "muitos defendem a adoção do voto distrital misto para legislativas, mais ou menos nos moldes em que existe na Alemanha. A idéia é manter parte do sistema como é hoje, proporcional, mas criar também distritos onde candidatos ligados àquela região se enfrentariam disputando diretamente a preferência do eleitor. A idéia aqui, inatacável, é aproximar mais representantes de representados.O problema do voto distrital, puro ou em combinação com o proporcional, está na definição dos distritos que nunca é neutra, mas invariavelmente beneficia alguém. O rico idioma inglês até conta com uma palavra específica para designar a criação arbitrária de distritos eleitorais com a finalidade de fazer alguém ganhar e outrem perder. É a palavra "gerrymander" formada a partir do antropônimo Elbridge Gerry e do substantivo salamandra. Elbridge Gerry foi um governador de Massachusetts do início do século 19 que usou e abusou do redesenho de distritos. A adoção do voto distrital também tenderia a dificultar a eleição de parlamentares mais ideológicos ou de lemas específicos, como o da saúde, da educação ou dos direitos de minorias, e a favorecer candidaturas mais clientelistas, que procuram principalmente resolver problemas do distrito."
O debate sobre a Reforma Política já existe de longa data e, embora todos pareçam favoráveis ao assunto, nada acontece. Enquanto isso, somos obrigados a conviver com notícias como esta que saiu hoje, dia 21 de agosto de 2006: "Parlamentares sanguessugas têm até a meia-noite de hoje para renunciar". Parlamentares estes, que estão sendo abandonados pelos partidos -especialmente por ser ano eleitoral. No entanto, como eu já mencionei anteriormente, algumas decisões não são fáceis. Embora a reforma política seja necessária, é preciso que haja liderança para fazê-lo, ou, como o próprio Schwartsman disse: "Meu único receio é o de que estejamos empunhando a bandeira da reforma sem uma apreciação mais cuidadosa de suas implicações. O mais provável é que o redesenho das instituições políticas apenas nos leve a trocar dificuldades velhas por novas. Às vezes, isso pode até ser uma solução, mas na maioria das vezes não passa de um embuste."
Leia íntegra da matéria de Hélio Schwartsman em:
Leia íntegra da entrevista de Fernando Henrique Cardoso à Revista Época em:

Wednesday, August 16, 2006

Petrobrás

Vamos dar uma pausa na macroeconomia e falar um pouco de uma empresa cujas ações quase todo leitor deste blog deve possuir...Hoje, dia 16 de agosto de 2006 saiu uma matéria na Folha de São Paulo cuja chamada é a seguinte: "Petrobrás é a quarta mais lucrativa do setor de petróleo das Américas". Como se sabe, a Petrobrás tem seguido uma trajetória brilhante no mercado. Em abril de 2006 deu início à produção da plataforma P-50, no Campo de Albacora Leste, na Bacia de Campos, que permitiu ao Brasil atingir a auto-suficiência em petróleo (vide imagem). Adquiriu recentemente participação adicional de 25% no campo de Cascade e de 26,67% no Campo de Chinook da BHP Billiton situados no Golfo do México. Hoje, está em décimo quarto lugar no ranking das maiores petroleiras do mundo. A empresa teve um lucro líquido no primeiro semestre de nada menos que US$ 6,3 bilhões, lucro este menor apenas do que o da:

  1. Exxon Mobil (US$ 18,760 bilhões)
  2. Chevron Texaco (US$ 8,349 bilhões)
  3. Conoco-Phillips (US$ 8,477 bilhões)

O que dizem os analistas sobre estes números?

Luiz Octávio Broad, analista da corretora Ágora, diz que a estatal foi beneficiada pela apreciação do real ao ter seu lucro convertido em dólar. É que a companhia gera receitas numa moeda que se valorizou ante o dólar, diferentemente das principais concorrentes na América Latina e EUA.

Marcos Paulo Fernandes, da corretora Fator, diz que o bom desempenho da companhia brasileira está relacionado ao acréscimo na produção de petróleo, que sobe em velocidade maior do que em outras empresas.

José Francisco Cataldo, analista do banco ABN Real, considera que o desempenho da empresa só não foi melhor porque a estatal sofreu com paralisações programadas de plataformas no segundo trimestre.

Os analistas ainda confirmam que o lucro poderia ter sido maior se a empresa ajustasse os preços da gasolina e do diesel ao do mercado internacional. O próprio diretor da estatal afirmou que o conjunto dos produtos refinados derivados de petróleo apresenta defasagem de preço no mercado doméstico de mais de 11%. A Folha ainda apurou, por meio da consultoria CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura) uma desafagem no preço da gasolina da Petrobrás de 16% e do diesel em 21% em relação aos preços de referência dos EUA.

Para obter maiores informações sobre o plano de metas para 2015 da Petrobrás, leia-o na íntegra em

http://www2.petrobras.com.br/ri/port/ApresentacoesEventos/ConfTelefonicas/pdf/Plano_Estrategico_2015_FINAL_1007.pdf

Saturday, August 12, 2006

O Brasil - o emergente !


No meio de um cenário econômico e político, onde China e Índia disputam os holofotes como o sendo os principais mercados em crescimento e foco da globalização e de influência política, poderemos ter nossos quinze minutos de fama! Sim, nós brasileiros! Quando? Analistas dizem que por volta de 2020! Calma pessoal, isto é um cenário de longo prazo, mas vamos analisá-lo para entedermos melhor as possibilidades para que isto venha a ocorrer.

Assim como analistas se referem ao século XX como "o século americano", o começo do século XXI pode ser visto como o momento de alguns países em desenvolvimento - liderados pela China e Índia - chegaram à maturidade econômica. Porém ainda existem uma grande incerteza de como a China e Índia exercitarão seu crescente poder e se relacionarão cooperativamente e competitivamente com outras potências do sistema internacional.

China - problemas econômicos e crise de confiança

A China deseja atingir status de "grande potência" no palco mundial, refletindo no grande impulso econômico que ela trará sobre os países daquela e outras regiões. Os países da Ásia Oriental através de laços econômicos e políticos mais fortes a China, estão se preparando para o evento de uma China mais poderosa. Além disso, a China deverá continuar a fortalecer seu exército, ultrapassando a Rússia e se tornando a segunda maior investidora em defesa, depois dos Estados Unidos. Por outro lado. dificuldades econômicas e crise de confiança podem dificultar a emergência da China como potência global. Isto teria um grande impacto no cenário mundial.

O fracasso do governo chinês em satisfazer as necessidades da população de oferta de empregos poderia detonar dificuldades políticas;

A China enfrentará o rápido envelhecimento de sua população por volta de 2020 e terá de lidar com problemas demográficos. Até então, é pouco provável que o país tenha desenvolvido mecanismos sociais - seguro-saúde, sistema de previdência - característico do Ocidente;

Se sua economia entrar em queda, a segurança regional se enfraquecerá, resultando em instabilidade política, crime, tráfico de drogas e migração ilegal.


Índia - reveses políticos e econômicos

Como a China, a Índia será um polo econômico, e sua emersão terá um impacto não apenas na Ásia mas também ao Norte, bem como no Irã e nos países da Ásia Central e do Oriente Médio. Conforme a economia da Índia cresce, os governos do Sudeste Asiático (Malásia, Cingapura, Tailândia etc.) podem se aproximar da Índia para, juntos, ter um contrapeso geopolítico em relação à China. Além disso a Índia deve fortalecer seu comércio bilateral com a China.

Assim como a China, a Índia pode ter reveses econômicos e políticos com a crescente pressão sobre seus recursos naturais - terra, água e reservas de energia - intensificando na medida que o país de modernizar.

Brasil - o parceiro

O Brasil, bem como outros países como Rússia, África do Sul e Indonésia estão bem colocados para atingir níveis elevados de crescimento econômico, mas com uma influência política menor que a China e a Índia. Este crescimento beneficiará os demais países vizinhos, mas sem alterar o fluxo de poder econômico nas suas regiões - elemento chave na ascensão política da China e Índia.

Muitos especialitas reconhecem o Brasil como um país-pivô, com sua democracia, economia diversificada, população empreendedora, um grande patrimônio nacional e sólidas instituições econômicas. O sucesso ou fracasso do Brasil em equilibrar as medidas econômicas pró-crescimento com uma agenda social ambiciosa, que busca reduzir a pobreza e igualar a distribuição de renda, terá profundo impacto no desempenho econômico e político da região nos próximos 14 anos. A busca por investimentos diretos, pelo desenvolvimento da estabilidade regional e integração da população marginalizada - inclusive com relação ao comércio e a infra-estrutura econômica - continuarão a ser axiomas da política externa brasileira. O Brasil é um parceiro natural, tanto para os EUA e a Europa, como para potências emergentes China e Índia e ainda o país tem potencial para melhorar seu desempenho como exportador de petróleo e de combustíveis renováveis - álcool e biodiesel.

Wednesday, August 09, 2006

O futuro demográfico do Brasil

A pedido estou publicando um artigo do nosso articulista Paulo que fala sobre o futuro da população brasileira. Em outras palavras, como estará a pirâmide populacional distribuída no futuro, uma questão que tem sido discutida e que acredito ser relevante em tempos de PCC. Na TV Globo, fiquei chocada ao ver a matéria de jovens meninas que madrugam e se empurram no metrô, para em seguida enfrentar a morte ao atravessar uma avenida movimentadíssima para conseguir um lugar na fila para seleção de entregadora de folhetos no farol. Nas palavras da menina da entrevista: "são só vinte vagas, quem chega depois fica sem emprego". Cada vez mais o governo e a sociedade em geral (claro, não podemos nos excluir) têm que pensar no mercado de trabalho destes jovens. Deixo-os com o artigo do Paulo, então.
Um estudo publicado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), segundo livro de uma série denominada "Brasil, o Estado de uma Nação", avalia, entre outras coisas, que a proporção de aposentados com menos de 60 anos na ala masculina brasileira aumentou de 45% em 1980 para 56% em 2000. Além disso, prevê que o ritmo de crescimento da população daqui a 25 anos será igual a zero, caso não haja aumento da taxa de fecundidade, hoje situada em 2,1 filhos/mulher e que em 2030 o crescimento populacional será de 0,5%, no ano em que o Brasil atingirá 225 milhões de habitantes.

O cruzamento destes dados mostra um futuro catastrófico. Mais pessoas se aposentando mais cedo; a pirâmide demográfica indicando envelhecimento da população; o nível educacional dos profissionais entrando no mercado de trabalho nos próximos 20 anos, pelo menos, ainda muito aquém do que é preciso, tudo isso junto me faz concluir que o Brasil pode estar presenciando hoje uma das suas últimas oportunidades de dar um salto qualita e quantitativo em seu desenvolvimento econômico aproveitando mão-de-obra em idade economicamente ativa.
Tudo indica que dentro de poucas décadas a população será mais velha e pouco educada. Essa combinação não é a ideal para um país que precisa gerar mais cientistas e pesquisadores, condição básica para que se possa inovar, criar/aperfeiçoar novas tecnologias e, dessa maneira, crescer. E hoje, aqueles que ainda pretendem pesquisar eventualmente são descartados pelas Universidades... Qual é o nosso futuro??

Wednesday, August 02, 2006

Forum de Economia da FGV

Nos dias 31 de julho e 01 de agosto a FGV promoveu a terceira edição do Forum de Economia, com a presença de renomados economistas como Yoshiaki Nakano, Luis Carlos Bresser Pereira, Guido Mantega, Rubens Ricupero, Paulo Nogueira Baptista Jr. entre outros. A abertura do evento, ao qual eu estive presente, tinha como tema a Nova Política Macroeconômica. Os outros painéis tratavam dos seguintes temas: "Choque de Gestão", "A idéia de nação como condição do desenvolvimento" e por fim "Câmbio e Desenvolvimento".

Tive a oportunidade de comparecer ao painel de abertura e ao de encerramento, sobre Câmbio. Na minha opinião, o último painel foi o mais acalorado de todos, com os economistas demonstrando seu desconforto em relação à estratégia de crescimento do Brasil. O que se concluiu é que é difícil projetar a situação futura do país a partir de modelos do passado, pois o Brasil jamais passou por uma situação como esta. Ainda estamos atrelados ao trauma da inflação galopante que impede que o Brasil tenha um crescimento comparado ao do Chile (como foi dito na palestra, o "mais asiático dos países latino-americanos"). As discussões foram longas, mas no final o que se concluiu é que, para se tornar competitivo com monstros como China e Índia, é preciso atuar com um câmbio competitivo e investir.

Uma pergunta que todo mundo se faz é: por que o Brasil não cresce como a China? Uma questão abordada por Mauricio Mesquita, economista-sênior do Banco Interamericano de Desenvolvimento e um dos expositores do painel de Câmbio. Daqui em diante deixarei-os com uma adaptação breve do artigo que Mesquita escreveu para a Folha de São Paulo (leia na íntegra em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/fj3007200613.htm se você for assinante da Folha ou do UOL).

Segundo Mesquita, existem elementos da estratégia de crescimento chinês como a prioridade ao comércio exterior, os altos níveis de poupança e investimento, a relativa estabilidade macroeconômica e a prioridade dada à educação e ao desenvolvimento tecnológico que deveriam ser seguidos pelo governo brasileiro e que são o diferencial de países com crescimento no mínimo impressionantes como a China. Mesquita concorda que não há como negar que as reformas pró-mercado iniciadas em 1978 foram fundamentais para que a China pudesse explorar todo o seu potencial de crescimento. Por outro lado, é evidente que a presença do Estado em áreas como crédito, educação, ciência e tecnologia tiveram e têm um papel importante para viabilizar as elevadas taxas de investimento e absorção de tecnologia que o país apresenta.

Intervir com êxito em uma economia de mercado depende, entre outras coisas, da qualidade das informações e análise econômica que tem o Estado, da sua capacidade de convencer a sociedade, em especial os prejudicados, dos benefícios da intervenção e da capacidade desse Estado de se defender de interesses particulares. Em governos como o chinês, tanto o segundo como o terceiro itens são resolvidos de forma autoritária e dependem da famosa figura do "ditador benevolente".

Ele ainda argumenta que o Brasil precisa criar mecanismos democráticos que ajudem o Estado a melhorar a eficiência de suas políticas em áreas como comércio exterior, crédito, educação, ciência e tecnologia, onde nem sempre o mercado gera a melhor solução. O país precisa abrir e estabilizar a economia, consolidar instituições, racionalizar o gasto público e aumentar o volume e a eficiência do gasto em educação, tecnologia e infra-estrutura. O que o choque chinês muda é o tempo disponível para a implementação dessa agenda. Seja para aproveitar as oportunidades em recursos naturais ou para viabilizar a sobrevivência da indústria é preciso que o país se mova muito mais rápido. Além de "forçar a marcha" de uma agenda conhecida, é preciso repensar a política externa.

É preciso também atuar mais agressivamente em pelo menos duas direções.

  • Primeiro, no sentido de garantir acesso privilegiado aos mercados do Norte, sejam os EUA ou a Europa. Diante das vantagens competitivas chinesas, a indústria brasileira não pode se dar ao luxo de não ter esse acesso, sobretudo com o alargamento da União Européia e a proliferação dos acordos bilaterais dos EUA com quase todo o resto da América Latina.

  • Segundo, no sentido de explorar de maneira mais eficiente os recursos que o país tem. Que o Brasil tivesse sua indústria concentrada no Sudeste na época da substituição de importações, era compreensível. O cenário mudou com a abertura, uma vez que a competição das importações deu maior relevância ao custo dos fatores, em particular ao da mão-de-obra. Mas a mudança levou a um movimento de desconcentração espacial mais tímido do que se poderia esperar. De acordo com o IBGE, o salário médio industrial no Nordeste em 2003 era aproximadamente 50% mais baixo que o do Sudeste e 40% inferior à média do país. Já os salários do Sudeste eram quase quatro vezes mais altos que os chineses. Assumindo que os números não mudaram muito, a transferência para o Nordeste cortaria a diferença salarial em relação à China quase pela metade. Associado a um câmbio mais competitivo e à maior proximidade do Brasil dos mercados americano e europeu, isso colocaria a indústria em condições melhores de competir com a China e de gerar empregos e desenvolvimento regional. É claro que por trás da timidez na desconcentração espacial devem estar problemas como a infra-estrutura precária, o baixo nível de qualificação da mão-de-obra e os problemas que afetam o clima de negócios. A "opção Nordeste", para que seja viável, tem que vir acompanhada de políticas públicas que tratem dessas deficiências e criem condições para que os recursos que estão lá sejam bem aproveitados.

Saturday, July 29, 2006

Certezas e Incertezas



Existem alguns assuntos que fazem parte do momento presente que estamos vivendo e que contribuem para um cenário futuro para daqui alguns anos. Compilando as coisas que temos ouvido e assistido nas diversas mídias, poderíamos resumí-las da seguinte maneira:


  • China e Índia se tornando potências econômicas e ganhando importância política;
  • Energia: Petróleo x Combustíveis alternativos;
  • A religião-política crescendo em nações de governos não democráticos no Oriente médio, parte da África e Ásia;
  • Grupos terroristas hi-tech, utilizando-se da Internet para se organizar e espalhar o terror;
  • Países politicamente instáveis com acesso a armas nucleares e biológicas;
  • Conflitos no Oriente-Médio;
  • Estados Unidos aumentando seu orçamento militar;
  • A Europa economicamente estagnada, com altas taxas de desemprego na França, Itália e Espanha;
  • Globalização menos ocidental;
  • População da Europa e Japão envelhecendo;
  • Meio ambiente: crescimento sustentável.

Será que podemos prever como as coisas serão daqui a 14 anos, isto é, em 2020 ? Um cenário criado em 2004 por especialistas de agências não governamentais (no mundo todo) para o ano de 2020, posicionando tanto as prováveis certezas, como as principais incertezas.

Certezas Relativas


  1. A globalização tende a se tornar menos ocidental;
  2. Economia mundial será substancialmente maior;
  3. O crescente número de empresas globais facilita a disseminação de novas tecnologias;
  4. A emergência da Ásia e o surgimento de novos “pesos médios” econômicos;
  5. O aumento do número de idosos nas potências mundiais;
  6. Suprimento de energia suficiente para atender atender à demanda global;
  7. Poder crescente de atores não-governamentais (ONGs);
  8. O Islã político continuará a ser uma força poderosa;
  9. Armas de destruição em massa mais poderosas;
  10. Arco de instabilidade espalha-se pelo Oriente Médio, Ásia e África;
  11. Não é provável que algum conflito deflagre uma guerra mundial;
  12. Temas ambientais e éticos serão cada vez mais debatidos;
  13. Os EUA continuam a ser o mais poderoso ator nos setores econômico, tecnológico e militar;

Incertezas

  1. Economias atrasadas serão introduzidas no cenário mundial;
  2. Países asiáticos estabelecerão “novas regras para o jogo”;
  3. Crises financeiras ou fragilidade de algumas democracias, aumentarão a distância entre ricos e pobres;
  4. A facilidade de conectividade desafia governos;
  5. A emergência da China/Índia ocorrerá suavemente;
  6. A capacidade da União Européia e do Japão para acomodar mão-de-obra estrangeira, adaptar sistemas de previdência social e integrar imigrantes; a UE se tornará uma superpotência;
  7. Instabilidade política nos países produtores petróleo;Crise no suprimento mundial;
  8. Desejo e capacidade das nações para acomodar esses atores;
  9. Impacto da religião sobre a estabilidade dos países, aumentando o potencial para o conflito crescimento da jihad;
  10. Não se sabe se haverá mais ou menos potências nucleares; mais facilidade para os terroristas conseguirem armas biológicas, químicas, radiológicas ou nucleares;
  11. Essa Instabilidade precipitará eventos que levarão a queda de diversos regimes;
    Capacidade de administrar zonas de conflito e competição por causa de recursos.
  12. Novas tecnologias criam ou resolvem novos problemas éticos.
  13. Outros países desafiarão Washington mais abertamente, caso os EUA percam a posição de líder científico e tecnológico.

Será que estaremos caminhando para um futuro de relativa paz e prosperidade mundial ou para um mundo menos globalizado e mais protecionista?

Friday, July 28, 2006

Apple vs. Microsoft

Vai ser muito difícil a Microsoft derrubar a Apple com seu iPod killer, o Zune. Isso porque a Apple é a líder no segmento e ocupa uma posição invejável: consegue bolar produtos inovadores numa velocidade incrível.

Mas a análise vai além. O Zune se compara ao rei do pedaço até em seu apelido: ele é o "matador do iPod". Quando um cliente for comprar o Zune, ele com certeza vai pensar: "isso aqui é melhor ou não do que o iPod?"

Which iPod are you?

Você acha que os executivos da Microsoft vão ficar felizes com isso? Afinal, é para os clientes pensarem no Zune como um equipamento legal ou em contraste com o iPod?

A Apple ainda tem outras vantagens sobre a empresa de Redmond:

  1. Design: o design é em última análise um ativo para a Apple, fonte de imensa vantagem competitiva. Ninguém faz melhor, ponto final;
  2. Nome de categoria: Gilette é sinônimo de lâmina de barbear. Bombril é a mesma coisa para escova de aço. iPod é sinônimo de tocador de música digital, o walkman do século XXI. Em termos de posicionamento de marca, a Apple já se estabeleceu. A Microsoft terá que criar awareness de seu produto;
  3. O modelo de negócios da Apple é o inverso do que as outras empresas fazem. Tome, por exemplo, a combinação impressora-toner. As empresas vendem impressoras com margens de lucro baixíssimas para ganhar dinheiro com os toners. A combinação iPod-iTunes Music Store é diferente! A Apple não vende iPods para vender músicas; é o contrário! A loja serve de "isca": quanto mais músicas são vendidas pela sua loja, maior é a probabilidade de que os clientes comprem mais iPods, pois caso o cliente queira abandonar o produto, terá que recomprar suas músicas em outra loja digital (as músicas da ITMS só funcionam no iPod). Como isso não é segredo e como as vendas da ITMS não param de aumentar, a única conclusão possível é que os clientes acreditam que os benefícios da loja online superam os custos de mudar de tocador de música. Isso faz com que o mercado restante para os concorrentes do iPod diminua ainda mais a cada compra de música feita na loja da Apple!
Mas como em qualquer segmento, a concorrência é saudável. Resta agora saber qual o tamanho da fatia do bolo que a Microsoft conseguirá para si no mercado digital.

Visite também A Linha de Sombra!

Blogged with Flock

Wednesday, July 26, 2006

Bovespa - Cursos e Desempenho Setorial

Aproveitando que a última mensagem foi sobre o mercado de fusões e aquisições e principalmente sobre valorização de ações, achei interessante continuar o assunto mencionando um curso que foi ministrado pela Bovespa na última terça dia 25 de julho em parceria com o caderno Folhainvest da Folha de São Paulo. O curso se intitulava " A estrutura do mercado de ações" e dava uma introdução à Bovespa, ao mercado de ações e à CBLC - Companhia de Brasileira de Liquidação e Custódia.

Para quem quiser participar de cursos semelhantes, a Bovespa tem um projeto intitulado "Projeto Educar" que dá uma introdução ao funcionamento do mercado de ações. Recomendo altamente às pessoas que quiserem investir neste mercado, estudantes universitários e interessados em geral. Para quem achou interessante, pode visitar o site da Bovespa e procurar por maiores informações. Para quem não tiver tempo para ir ou que mora em outro Estado, o site também disponibiliza cursos on-line.

Falemos agora um pouco do ranking setorial disponibilizado pela Bovespa. Este ranking indica o comportamento dos 15 setores mais representativos da Bolsa (que hoje é composta por 231 empresas). O setor Financeiro novamente apresentou o maior valor de mercado ao final do primeiro semestre deste ano, atingindo R$ 276,5 bilhões (crescimento de 58,4% em comparação ao mesmo período do ano passado). Valor de mercado, só para esclarecer, é o valor da ação multiplicado pela quantidade de ações disponíveis.

Chama a atenção o setor que representou o desempenho em lucratividade do setor elétrico: alta de 61,4%. Dentre todos os setores analisados este foi o mais lucrativo. Doze setores analisados ainda apresentaram performance acima do Ibovespa: Energia Elétrica (+ 61,4%); Papel e Celulose (+58,6%); Transporte (+55%); Máquinas e Equipamentos (+45%); Siderurgia (+32%); Financeiro (+24,2%); Comércio (+23,1%); Construção e Engenharia (+21,8%); Eletrodoméstico (+17,2%); Petróleo e Gás (+13,7%); Tecidos, Vestuário e Calçados (+10,2%); Alimentos (+10,0%). Abaixo, ficaram Mineração (+8,6%), Telecomunicações (+3,6%), e Petroquímica (-12,9%).

Sunday, July 23, 2006

Sadia e Perdigão

A semana foi tumultada para a Economia nacional: a taxa SELIC foi definida em 14,75% ao ano pelo COPOM, a VarigLog adquiriu a Varig e manteve somente a Ponte Aérea com o intuito de gerar caixa, foi divulgado o índice de inflação ao consumidor nos EUA, ... Dentre todas estas notícias que tumultaram o mercado, uma que chamou a atenção foi a proposta da Sadia em adquirir a Perdigão.
A Sadia ofereceu pagar R$ 27,88 por cada ação da Perdigão, mas a proposta só seria válida com a adesão de metade das ações mais uma. O valor oferecido era 21% maior do que o valor da ação da Perdigão no em 14 de julho e 30% maior do que a cotação média do papel nos últimos 30 dias. Por conta do movimento, o resultado foi que a ação da Perdigão teve a maior alta da semana no Ibovespa (17,39%), na frente de Braskem e Copel.
A grande questão na aquisição de 100% da Perdigão pela Sadia seria a concentração no mercado de congelados. De acordo com pesquisas de mercado da ACNielsen, as duas empresas juntas teriam mais 50% do mercado de produtos industrializados e entre 60% e 80%, em alguns itens como hambúrgueres e empanados, de produtos congelados. Sozinha, a Perdigão, por exemplo, informa que responde por 26% dos volumes vendidos no mercado de produtos industrializados e 34% do mercado de congelados.
A Sadia estaria interessada em adquirir a Perdigão para fazer frente à concorrência internacional, incluindo a Tyson Foods Inc. e a Smithfield Foods Inc. Caso a operação tivesse sucesso, o novo grupo Sadia-Perdigão teria uma receita líquida superior a R$ 12 bilhões, 81 mil empregados, cadeia produtiva com cerca de 16 mil produtores e exportações para mais de centena de países. A nova empresa teria um poder de barganha maior com fornecedores e ainda teria uma rede de distribuição maior. Analistas do mercado diziam que a Sadia teria que vender alguns de seus ativos para evitar a posição dominante no mercado interno, o que faria com que o CADE vetasse a operação.
Dados da FAO, organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, indicam que para atender à demanda por proteína animal nos próximos anos o mundo precisaria produzir três vezes a oferta brasileira. Só de frangos o Brasil exportou no ano passado 2,84 milhões de toneladas. Em 1999, o País exportava 770 mil toneladas de carne de frango. Nesse período, o salto foi de 268,4%. Em suínos, as exportações em 2005 foram de 2,7 milhões de toneladas. O aumento foi de 48,9% em relação a 1999, quando as exportações foram de 1,8 milhão.
A proposta foi recusada pelos controladores da Perdigão por ser menor do que o valor avaliado da empresa pelos acionistas e analistas de mercado e também por ferir o estatuto social da mesma. No entanto, ainda resta a questão: será que uma operação dessa grandiosidade deveria ser permitida pelos órgãos reguladores? Se as empresas mais eficientes são aquelas que sobrevivem no mundo globalizado, deveríamos pesar qual seria o impacto maior: o impacto no mercado interno ou a ineficiência em um mercado externo altamente competitivo.
Para ler mais sobre a Sadia e a Perdigão:

Monday, July 17, 2006

Caos, Incertezas e Certezas


Falar sobre o futuro, tentando imaginar qual seria o cenário de um mundo daqui 5, 10 ou 50 anos, parece mais um daqueles papos cabeça ou coisa esotérica. E sempre tem aquele engraçadinho que diz: "Cenário??? De qual filme mesmo?"

Caos e Incertezas

Parece que hoje em dia a turbulência e tensão do mundo em geral ocupam um espaço maior em nossas vidas e dificilmente encontramos alguém que não tenha sido afetado por estas preocupações. Por outro lado, queremos ou achamos que as coisas deveriam ser mais estáveis e seguras e que depois de superarmos uma crise, por exemplo, a vida deveria voltar ao normal. E gostaríamos que nossos empregos, segurança, aposentaria estivessem a parte deste caos.

Certezas

Existe alguma maneira de conviver com essa tensão ao invés de preparar-se para despencar da montanha-russa e ser obrigado a reagir a cada nova surpresa que a vida nos apresenta? Existe.

Existem Certezas - fatores que podemos ou não contar, mas não deixarão de existir. E devemos ter em mente três delas, em qualquer contexto turbulento:

Primeira: Sempre teremos surpresas.

Segunda.: Conseguiremos lidar com elas.

Terceira: Muitas podem ser previstas, isto é, podemos fazer suposições boas acerca de como a maioria se dará.

Cenário

Criar um cenário, baseia-se na verdade em criar um modelo de realidade onde podemos exercitar como determinadas tendências se manifestarão ou não num futuro delimitado. Essas tendências, são como ondas que se propagam nas esferas: cultural, econômico, tecnológico, social e político. Precisamos estar antenados para captar as mudanças que estão ocorrendo ao nosso redor e se elas configuram tendências que se propagarão por todas as esferas ou ficarão isoladas, perdendo força.

Muitas serão as surpresas que enfrentaremos nos próximos 10, 15, 20 anos nas esferas econômica, política e social em nosso mundo, que poderão mudar as regras do jogo que é praticado hoje. Essas mundanças nos levarão a um mundo muito diferente do que conhecemos hoje.

Entender estas surpresas no futuro é essencial para tomarmos decisões no presente. E não importa se você é executivo, político ou alguém que quer cuidar melhor de sua família.