Wednesday, August 09, 2006

O futuro demográfico do Brasil

A pedido estou publicando um artigo do nosso articulista Paulo que fala sobre o futuro da população brasileira. Em outras palavras, como estará a pirâmide populacional distribuída no futuro, uma questão que tem sido discutida e que acredito ser relevante em tempos de PCC. Na TV Globo, fiquei chocada ao ver a matéria de jovens meninas que madrugam e se empurram no metrô, para em seguida enfrentar a morte ao atravessar uma avenida movimentadíssima para conseguir um lugar na fila para seleção de entregadora de folhetos no farol. Nas palavras da menina da entrevista: "são só vinte vagas, quem chega depois fica sem emprego". Cada vez mais o governo e a sociedade em geral (claro, não podemos nos excluir) têm que pensar no mercado de trabalho destes jovens. Deixo-os com o artigo do Paulo, então.
Um estudo publicado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), segundo livro de uma série denominada "Brasil, o Estado de uma Nação", avalia, entre outras coisas, que a proporção de aposentados com menos de 60 anos na ala masculina brasileira aumentou de 45% em 1980 para 56% em 2000. Além disso, prevê que o ritmo de crescimento da população daqui a 25 anos será igual a zero, caso não haja aumento da taxa de fecundidade, hoje situada em 2,1 filhos/mulher e que em 2030 o crescimento populacional será de 0,5%, no ano em que o Brasil atingirá 225 milhões de habitantes.

O cruzamento destes dados mostra um futuro catastrófico. Mais pessoas se aposentando mais cedo; a pirâmide demográfica indicando envelhecimento da população; o nível educacional dos profissionais entrando no mercado de trabalho nos próximos 20 anos, pelo menos, ainda muito aquém do que é preciso, tudo isso junto me faz concluir que o Brasil pode estar presenciando hoje uma das suas últimas oportunidades de dar um salto qualita e quantitativo em seu desenvolvimento econômico aproveitando mão-de-obra em idade economicamente ativa.
Tudo indica que dentro de poucas décadas a população será mais velha e pouco educada. Essa combinação não é a ideal para um país que precisa gerar mais cientistas e pesquisadores, condição básica para que se possa inovar, criar/aperfeiçoar novas tecnologias e, dessa maneira, crescer. E hoje, aqueles que ainda pretendem pesquisar eventualmente são descartados pelas Universidades... Qual é o nosso futuro??

3 comments:

Marcello said...

Que país é este? Enquanto assistimos chineses e indianos formando mestres e doutores, nossos adolescentes passam o dia na rua, sem escola e sem emprego. E se quisermos mudar, teremos que investir na geração atual desses adolescentes para colhermos daqui a 10 anos. Afinal, conhecimento e riqueza caminham lado a lado.

Anonymous said...

Como poderíamos equilibrar estes fatores? Crescimento, educação, previdência?

Clau Komamura said...

Bom, essa é a questão que todos se perguntam...é claro que o Governo não é mágico e não conseguirá sanar todos os problemas da noite para o dia. Mas precisa priorizar alguns e investimento em educação é fundamental, assim como geração de emprego.