Monday, June 26, 2006

Varig - uma questão de timing




Será a Varig ainda tem jeito? Aparentemente, os sinais estão melhorando (ainda que aos poucos). As ações da Varig dispararam com o anuncio da VarigLog como interessada na empresa. O curioso é que esta solução estava sendo discutida há meses, e só foi viabilizada depois que a justiça liberou a compra da própria VarigLog na última semana. Isso levanta uma questão: por que a tortura da Varig está sendo prolongada por tanto tempo?

Não vou fazer mais uma análise da situação da Varig neste artigo, pois acho que já foi demasiado discutido em todos os meios de comunicação existentes. Prefiro falar sobre os casos semelhantes que existiram e deixá-los refletir sobre o assunto. Vejamos os principais casos semelhantes:

Pan Am um dos maiores símbolos da aviação americana, a Pan Am acabou em 1991. A empresa aérea tornou-se uma companhia símbolo de inovações que determinaram o modo das atuais aéreas atuarem, como por exemplo: introdução dos jumbos, jets e sistema de reservas computadorizadas. O colapso da Pan Am se deve a fatores como má administração corporativa, indiferença governamental em proteger sua principal companhia aérea internacional e políticas regulatórias deficitárias.

SwissAir A Swissair cresceu por meio de uma estratégia chamada de "Hunter Strategy" (traduzido ao pé da letra, "Estratégia do Caçador") onde passou a adquirir pequenas companhias aéreas para formar a empresa ao invés de formar alianças. Esta estratégia mostrou-se custosa a longo prazo e aliada a problemas de caixa constantes da empresa e repercussões dos atentados de setembro de 2001, a crise culminou com os aviões da Swissair no chão e 38 mil passageiros deixando de embarcar. Viten dias depois, em 22 de outubro, o governo suíço estatizou a empresa que passou a operar com a marca Swiss. Em 2005, ela foi adquirida pela Lufthansa. Um ponto a ser ressaltado é que acabar com a Swissair geraria um conflito entre interesses de vários políticos que eram diretores da empresa.

Air France A Air France foi socorrida em 1994 pelo governo francês qu injetou US$ 4 bilhões na empresa. Nesta época, o governo era dono de 54,4% das ações da AirFrance e o restante era mantido por outros acionistas. As ações do governo foram reduzidas para 44% quando da união com a KLM.

Estes exemplos demonstram que os casos de falência de companhias aéreas são muito semelhantes entre si. Quando incapazes de resolverem seus problemas financeiros, coube ao governo de cada país mensurar a importância dessas empresas e decidir se deveria ajudar ou não. Ora, se o fundo americano que comprou a VarigLog não pode adquirir a Varig por ferir os 20% de capital máximo estrangeiro, quem pode comprar a Varig senão o próprio governo? Não seria uma solução (senão a única que parece viável) o governo comprar a Varig e privatizá-la posteriormente?

A questão é se salvar a Varig é de interesse do governo brasileiro. E se for, o que o governo está esperando para ajudar?


Leia mais sobre a crise da Varig:
Especial Folha: Crise da Varig
Google notícias: Varig

5 comments:

Marcello said...

Claudia, os exemplos realmente mostram semelhanças com a Varig. Por outro lado, o fundo formado pelos seus funcionários acabou levando a Varig para o fundo mesmo. O modelo de gestão parece não estar em linha com modelos e estratégias atuais vistos em companhias concorrentes. Se o governo entrar para sanar a empresa, provavelmente estaria perpetuando o problema, isto atuando na consequência e não na causa. Acho até que o Governo gostaria de ter feito isto, mas estamos em ano eleitoral e isso poderia ser o "tiro pela culatra" contra a campanha de reeleição, depois de tantos escândalos.

Clau Komamura said...

Marcello, vide o caso da Transbrasil que faliu, até hoje os hangares estão aí sendo negociados e parece que iniciará novamente suas operações ainda este ano. A Varig é uma empresa que possuía vôos fundamentais em horários que muitas empresas brasileiras concorrentes não possuem. Será que deixá-la falir para salvá-la depois não é um luxo ao qual a economia brasileira não deve se dar?

Anonymous said...

Ôtimo, em tom irônico, posso dizer que a Varig é o exemplo de uma gestão ineficiente assim como os casos citados no artigo . Obviamente que cada caso é um caso e não podemos julgar o resultado de uma empresa por outras mas que a gestão eficiente faz a diferença .

Leonardo said...

eheheh é que o gasoduto venezuela-brasil eh muito mais importante =P

Clau Komamura said...

muito bom o senso de humor de nossos leitores! rs!