Saturday, November 18, 2006

Uma Nova Geração de Idosos

Estamos vivenciando grandes mudanças na sociedade, onde graças aos avanços na tecnológicos que ocorrem sobre diversas áreas, tem se refletido diretamente em nossa longevidade. Os alimentos são melhorados e enriquecidos de vitaminas e minerais necessários pelo nosso organismo; novos medicamentos que estimulam, promovem a cura ou permitem uma sobrevida a um custo muitas vezes subsidiado pelo governo; terapias alternativas e milenares; exercícios físicos; controle de pestes e saneamento. Com todas essas melhorias fica evidente que nações desenvolvidas ou em desenvolvimento tiveram um aumento sensível em sua expectativa de vida.

Teremos vigor aos 110 ou 120 anos de idade

Com todas essas mudanças acontecendo, fica evidente que novas regras para aposentadoria deverão ser criadas. Sem mencionar o fato do decréscimo de nascimentos (menor que 2,1 filhos por mulher) que é base para se manter um equilíbrio na previdência. Por outro lado, uma pressão grande por parte dos aposentados para não parar de trabalhar. Muitas vezes por necessidade, uma vez que sua aposentadoria é insuficiente para mantê-los sem qualquer outra fonte de renda.
Pode parecer que estes efeitos da população envelhecendo demorarão a acontecer, mas estamos enganados, uma que esta relação não é linear e sim logarítmica. Nos Estados Unidos houve um boom de nascimentos em 1960, e nas décadas de 80 e 90 tivemos o "adolescente global" e o que virá a seguir será uma explosão de idosos.

Qual será o impacto dessas mudanças?

O ambiente de trabalho será diferente, onde as empresas começarão aceitar pessoas mais velhas ao invés de rejeitá-las - para se protegerem de processos legais e para melhorarem a eficiência de suas equipes. Isto é fato e já está ocorrendo. Pessoas com mais de 55 anos correspondem a 10% da força de trabalho nos Estados Unidos e segundo estimativas houve um crescimento de 22% desde 1995. A General Eletric por exemplo possui um programa chamado de "Oportunidade de Ouro" onde aposentados da empresa podem trabalhar até 1000 horas por ano.

Mudança de paradigma

A relutância em se contratar pessoas mais velhas se deve ao fato que se aposentariam pouco tempo depois. Logo se não tinham muito futuro, por que investir nelas? Mas a mudança de paradigma está justamente no fato que sua pessoa saudável se sente e vive como se tivesse 40 anos até os 95 anos, então é possível contratá-la aos 60 e mantê-la na empresa durante 25 anos ou mais. Hoje já existem pessoas aposentadas (até pais de amigos meus) que permanecem em seus empregos 15 anos ou mais após terem se aposentado.

A onda dos idosos

As pessoas continuarão trabalhando até quando ainda estiverem saudáveis e manterão sua produtividade comparável à dos mais jovens. Ainda assim terão fonte de renda proveniente de salários e de investimentos que fazem como complemento de aposentadoria, por exemplo. Demandarão novos serviços voltados às suas necessidades, criando oportunidades para o mercado de serviços, seguros e bem estar. As ramificações dessas mudanças certamente terão impacto na sociedade, governo e serviços.

Veja também:

Políticas demográficas no Brasil

Baby Boom

O Nascimento de uma Velha Geração

4 comments:

Paulo said...

Esta nova onda trará profundas mudanças na economia e na sociedade. Deveremos nos preparar para mudar nossa maneira de pensar sobre o conceito aposentadoria e a relação com o trabalho. Outro ponto ainda a se considerar será a migração de mão-de-obra entre países que possuem baixa natalidade e outros com altas taxas.

Marcel said...

Fica cada vez mais evidente que precisamos repensar nossas políticas trabalhistas e previdenciárias para adequa-las à essa nova realidade que se aproxima. Já não dá mais para aceitar que pessoas no auge de sua produtividade, aliada à experiência profissional sejam relegadas à segundo plano. De qualquer forma esse é um retrato de que o Brasil está "envelhecendo" e isso significa descobrir outras alternativas para solucionar o problema do déficit previdenciário.
Afinal de contas, como o artigo cita, a evolução da ciência vem aumentando a expectativa de vida das pessoas. E por falar nisso, nada como uma tacinha de vinho p/ ajudar o organismo, principalmente se for "na faixa". Não é mesmo, Marcellão ???

Marcello said...

Isto mesmo Marcel, o modelo deve ser repensado pois a realidade já é outra! Como é uma escala logarítmica os efeitos parecem lentos, mas pode se transformar numa verdadeira "bomba" num breve futuro. A propósito, vinho bom na faixa contribui para longevidade rs rs rs.

Anonymous said...

A menor taxa de natalidade nos países desenvolvidos contrasta com uma taxa alta de natalidade de países muçulmanos. Logo, teremos de desenvolver mecanismos para migração de mão-de-obra e integração entre diferentes culturas.