Friday, July 14, 2006

Mulheres na Economia

Há tempos tenho vontade de escrever um artigo sobre mulheres na economia e acho que o assunto está mais em voga do que nunca com o crescimento do papel da mulher na sociedade não só em número, mas como também em importância. No ano de 2005 saiu uma compilação da Harvard Business Review sobre a mulher no mercado de trabalho. O primeiro artigo, de Hewllet e Luce mostra um comparativo entre as razões pelas quais as mulheres abandonam o mercado de trabalho e as razões pelas quais os homens abandonam o mercado e me chamou a atenção o fato de que as mulheres o fazem, na grande maioria ainda, para cuidar melhor da família. Se olharmos os motivos que levam o homem a deixar o mercado, veremos razões bem mais "egoístas" para fazê-lo.
Principais razões para as mulheres abandonarem o mercado de trabalho americano:
  1. Passar mais tempo com a família - 44%;
  2. Estudar (ganhar um diploma) - 23%;
  3. O emprego não traz satisfação - 17%;
  4. Mudança (localização) - 17%;
  5. Mudança de carreira - 16%.

Principais razões para os homens abandonarem o mercado de trabalho americano:

  1. Mudança de carreira - 29%;
  2. Estudar (ganhar um diploma) - 25%;
  3. O emprego não traz satisfação - 24%;
  4. Não há interesse na área - 18%;
  5. Passar mais tempo com a família - 12%.
Uma das razões pelas quais isso acontecia é porque a mulher não era vista como uma força econômica importante. Ou seja, o homem ainda seria o responsável por prover o sustento da casa. Embora essa visão ainda seja predominante no mundo atual, isso está mudando.
A entrada das mulheres no mercado de trabalho se deve, dentre outras coisas, à mudança do perfil do mercado. Os empregos que exigiam força braçal (em indústria, principalmente) diminuíram com a tecnologia e a necessidade de fornecer serviços aumentaram. As mulheres também estão firmando sua importância como consumidoras, empreendedoras e investidoras. Pesquisas citadas na The Economist confirmam que as mulheres são responsáveis por 80% das decisões de compra - de saúde a aquisição de casas, móveis e comida.
No entanto, as mulheres ainda são apenas 7% das diretorias do mundo - 15% nos EUA e 1% no Japão. O interessante é que a revista The Economist cita um estudo da consultoria Catalyst que descobriu que as empresa americanas com um número maior de mulheres no comando tiveram retornos maiores do que aquelas que posssuem poucas mulheres no topo. As mulheres têm maior facilidade de comunicação e trabalho em equipe, por exemplo, dessa maneira fazendo com que o trabalho renda mais e ajudando na solução de problemas.
E quanto a Brasil? Há seis anos as mulheres ainda eram minoria no mercado de trabalho, apesar do crescimento da atuação feminina no nível de atividade da economia brasileira. O SNIG (Sistema Nacional de Informações de Gênero) mostra que em 2000 as mulheres tinham participação de 44,1% no mercado de trabalho.O levantamento revela ainda que o maior nível de inserção das mulheres no mercado de trabalho se dá para aquelas com idade entre 25 e 49 anos, com participação de 61,5%, contra 45,3% em 1991. De acordo com o instituto, as mulheres recebem em média 70% do rendimento dos homens.
Claro, deve-se sempre levar em conta que estas estatísticas incluem mulheres de diversas classes sociais e que ainda há muito a se desenvolver quando se fala entre igualdade entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. Isso inclui também uma melhoria na qualidade de vida, evitando a evasão de muitas mulheres qualificadas do mercado. Não devemos, no entanto, ignorar que os sinais são positivos para as mulheres. Quem sabe o que acontecerá nos próximos anos? O mundo é das mulheres.
Fonte do Gráfico: The Economist.

1 comment:

Marcello said...

Acredito que as sociedades de diversos países possuem uma cultura que as vezes proporcionam mais possibilidades para as mulheres poderem atuar e participar de mercado de trabalho altamente competitivo que é mundo executivo. Esperamos que as sociedades menos igualitárias evoluam para que o jogo seja justo. Todos temos a ganhar e a aprender uns com os outros.