Saturday, October 07, 2006

Lula x Alckmin, o que acontecerá na nossa Economia afinal?

Não teve como fugir do assunto, o que todo mundo está comentando, em todas as conversas desde o escritório até a rodinha no bar é a mesma: quem será o novo Presidente do Brasil? Segundo a pesquisa do Datafolha publicada ontem, dia 06 de outubro de 2006, considerando apenas os votos válidos (excluídos votos nulos, em branco e os eleitores que se declaram indecisos) Lula tem 54% e Alckmin 46%. A pesquisa Datafolha ainda mostra informações interessantes sobre o perfil das pessoas que votam em cada candidato:

  • Lula atinge 57% das intenções de voto entre os eleitores que têm até o ensino fundamental e Alckmin, somente 36%. Os eleitores que têm escolaridade média se dividem: 48% votariam Alckmin e 45%, Lula. Já a maioria (56%) dos eleitores com escolaridade superior prefere o tucano; Lula tem 35% dos votos entre os mais escolarizados;

  • Lula lidera com folga entre os eleitores com renda familiar mensal até dois salários mínimos: nesse segmento, ele tem 59% das intenções de voto contra 34% de Alckmin. No entanto, à medida que aumenta a renda do eleitor, Alckmin passa à frente: 49% a 45% entre os que têm renda entre dois e cinco salários mínimos, 51% a 41% entre os que têm rendimentos entre cinco e dez salários e 69% a 24% entre os que ganham mais de 10 salários mínimos;

  • Para quem acha que o Lula vence devido ao fator "Nordeste" e o Alckmin ao fator, "São Paulo", vai perceber que essas regiões têm, sim, fator fundamental na decisão: entre os eleitores do NE, Lula tem 67% das intenções de voto e Alckmin, 28%. Nas regiões Norte e Centro-Oeste o resultado é similar ao verificado entre o total de brasileiros: 50% pretendem votar pela reeleição do atual presidente e 44% no candidato do PSDB. No Sul, Alckmin fica 24 pontos à frente de Lula (57% a 33%) e no Sudeste ocorre empate (47% para o peessedebista, 45% o petista).

E o que o mercado financeiro acha disso tudo? No blog do Fernando Rodrigues no UOL, ele comenta sobre a expectativa dos dados desta pesquisa do Datafolha no mercado financeiro. Ele chama atenção ao boletim emitido pela Merrill Lynch a seus clientes, onde o Banco afirma que a pesquisa, juntamente com o debate de domingo entre Lula e Alckmin na Band são fatores fundamentais a se considerar. No entanto, como já falamos anteriormente, o mercado financeiro não demonstra grandes preocupações com quem será eleito, como o ocorrido quando da eleição do atual presidente Lula.


E as provas? Bom, não adianta apresentarmos certezas sem mostrar os fatos, certo? Lendo o site da Veja Especial sobre as eleições encontrei um comparativo muito interessante sobre as propostas na Economia dos dois candidatos que nos esclarece muita coisa sobre o assunto. Primeiro, a revista apresenta um comparativo entre o que Lula prometia em 2002 e o que atingiu durante seu governo:

O que prometia em 2002:

  • Crescimento do PIB na faixa dos 5% ao ano;
  • Preservar o superávit primário (economia feita para o pagamento dos juros da dívida pública), reduzindo e relação dívida interna/PIB;
  • Reduzir a vulnerabilidade externa e os juros;
  • Respeitar contratos internacionais.


O que está fazendo agora:

  • Conforme dados do IBGE, o PIB cresceu 0,5% em 2003, 4,9% em 2004 e 2,3% em 2005. Em 2006, não deve chegar a 4%;
  • O governo superou as metas de superávit previstas;
  • A divida interna e o Risco Brasil caíram, mas os juros continuam elevados;
  • O governo não quebrou contratos firmados anteriormente.

Passado é passado. A questão é: e daqui em diante? O presidente Lula segue planejando reduzir a relação dívida pública/ PIB, aprofundar o processo de redução da taxa de juros para que o PIB apresente um crescimento maior, elevar os investimentos federais a 25% do orçamento (também com o intuito de promover o crescimento econômico) e promover a desoneração tributária.

Alckmin, por outro lado, planeja promover um crescimento de 5% a 6% ao ano baseado no corte das despesas dos governos federal e estaduais, da redução da taxa de juros, da redução dos números de ministérios e da demissão de funcionários contratados pela atual administração, bem como resgatar a capacidade do investimento do Estado e do setor privado.

Ambas as plataformas parecem, quanto à questão econômica, focar no crescimento econômico. O que difere um do outro é a maneira como pretende chegar lá, embora as ferramentas também tenham vários pontos em comum: diminuição dos gastos públicos e taxa de juros, reforma tributária. Não é à toa que o mercado financeiro não está prreocupado com o resultado da eleição. Deixo aqui somente uma questão para o eleitor preocupado com o desenvolvimento da Economia brasileira: será, realmente, que estamos imunes a crises de credibilidade, independente do candidato que for eleito?


Veja também:





3 comments:

Marcello said...

Pode-se dizer que disputa está entre regiões atrasadas onde os Estados baseiam-se em favores políticos (Lula) e as mais desenvolvidas onde os Estados são mais fortes (Alckmin).

Rodrigo said...

Olá, meu nome é Rodrigo, sou de Curitiba.
Gostaria de entrar em contato com a clau ou marcello para propor uma parceria entre blogs.
Tentei achar o email de algum de vocês mas não tive sucesso.
Meu email é rmbrito@gmail.com, caso tenham interesse é só escrever.
Gde Abraço
Rodrigo

jozahfa said...

como será nossa economia?
como está indo nossa economia? a resposta a esta pergunta pode responder a primeira não acham?