Wednesday, October 11, 2006

Tudo está na expectativa!

O norte-americano Edmund S. Phelps foi o vencedor do Prêmio Nobel de Economia deste ano. Só por curiosidade, o Prêmio Nobel foi instituído por Alfred Nobel em seu testamento e premia pessoas que fizeram pesquisas importantes, inventaram técnicas pioneiras, ou deram contribuições destacadas à sociedade nas áreas de Literatura, Física, Química e Medicina. "Espera um pouco" - pode perguntar o leitor incauto. "E o Prêmio Nobel de Economia?" O Prêmio Nobel de Economia é assim chamado pois originalmente criado pelo Sveriges Riksbank (o Banco Cetrnal da Suécia) com o nome de Prêmio de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel. Este prêmio não é pago com o dinheiro privado da Fundação Nobel, mas sim com dinheiro público do Banco Central da Suécia. Este ano, Phelps levou o modesto prêmio de 1 milhão e 400 mil dólares.

Ele venceu o prêmio deste ano por sua análise na área de política macroeconômica, especialmente o estudo da relação entre inflação e expectativa de desemprego. A Real Academia de Ciências da Suécia destacou que o trabalho do professor da Universidade de Columbia contribuiu substancialmente para a melhor compreensão da relação entre os efeitos de curto e longo prazo da política econômica. "Ele enfatizou não somente a questão inflação e desemprego, mas principalmente questões sobre a distribuição do bem estar social ao longo do tempo" - afirmou o comitê do Prêmio.

Consumo atual e das futuras gerações A pesquisa de Phelps demonstrou que, embora o emprego, preços estáveis e rápido crescimento sejam objetivos primordiais para uma economia política, é necessário se considerar um trade-off entre o consumo atual e o de futuras gerações. Phelps demonstrou que as possibilidades de políticas de estabilização no futuro dependem nas decisões atuais: baixa inflação hoje leva a expectativas de baixa inflação no futuro, dessa maneira, facilitando a formulação de políticas no futuro. As baixas taxas de inflação atuais da economia americana influenciam decisões futuras de setor privado, levando a uma expectativa de menor de inflação no futuro.

Phelps e Philips No blog Marginal Revolution, Tyler Cowen afirma que a maior contribuição de Phelps é uma melhor compreensão da já conhecida curva de Philips e as dinâmicas de desemprego de curto prazo. A Curva de Philips original, elaborada por A.W. Philips demonstrava existir uma correlação negativa entre desemprego e inflação. Ou seja, quanto mais alta a taxa de desemprego, menor a taxa de inflação. Ou, em outras palavras, o preço de uma taxa de desemprego reduzida é o aumento da inflação. Phelps desafiou esta visão ao realizar estudos mais embasados sobre a determinação de salários e preços, levando em conta problemas de assimetria de informação na Economia. Agentes individuais teriam informação incompleta sobre a ação de outros e precisam embasar suas decisões em expectativas. Phelps, então formulou a chamada "expectations-augmented Phillips curve", segundo o qual a inflação depende igualmente das expectativas de inflação e desemprego.

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2 comments:

Marcello said...

Clau, parece polêmico falar que uma alta taxa de desemprego significa uma baixa taxa de inflação. Falo isso por causa das eleições do segundo turno, onde os dois candidatos tem propostas (???) para criar-se empregos e manter a inflação baixa. Quais seriam então as expectativas para inflação e desemprego?

Marcello

Clau Komamura said...

Marcello, a Curva de `Philips faz parte da teoria econômica ortodoxa de curto prazo. A idéia básica é que se as pessoas estão empregadas, estão consumindo (sua renda é maior). Portanto, existe uma inflação maior. A grande questão para o próximo presidente é fazer o país crescer mais do que hoje, consequentemente criando uma renda maior, mas evitando que esse aumento de renda crie um consumo tão grande que gere uma inflação descontrolada. Por isso o governo brasileiro é cauteloso e mantém à risca o Plano de Metas de Inflação.

Um grande abraço