Monday, October 30, 2006

Seminário de Energia Elétrica

Na semana passada eu tive a oportunidade de participar como ouvinte do Seminário "Energia como Fator de Competitividade Econômica" organizado pelo jornal Valor Econômico no Hotel Unique em São Paulo. O evento contou com a participação de figuras importantes do setor, como Maurício Tolmasquim (presidente da Empresa de Pesquisa Energética), Cláudio Langone (Secretário Executivo do Ministério do Meio-Ambiente), Eduardo Spalding (vice-presidente da Abrace), Érico Sommer (diretor de energia do grupo Gerdau) entre outros.
Apagão Um dos assuntos mais polêmicos abordados foi o artigo publicado pelo jornal O Estado de São Paulo em que se dizia haver um risco de apagão de 50% em 2007 com base em simulações feitas pelo mercado, a partir das novas regras que serão definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para calcular qual é o real risco de falta de energia no País. A Aneel deverá tirar dessa conta as usinas termelétricas que não estão conseguindo gerar energia por falta de gás natural. A notícia foi desmentida pelo Ministério de Minas e Energia em nota posterior, onde afirma que a dificuldade no suprimento de gás a algumas termelétricas, ocorrida em setembro, que comprometeu a geração de energia por essas usinas, "referem-se a situação conjuntural e ações já foram tomadas para garantir sua normalização". "Apesar de o fornecimento de gás da Bolívia para o Brasil ainda não estar totalmente normalizado, a Petrobras vem tomando todas as medidas necessárias para contornar as restrições decorrentes dos danos nos gasodutos causados pelas chuvas", diz a nota, acrescentando que esses problemas técnicos devem ser solucionados no próximo mês.
Fontes de Energia Como se sabe, as fontes de geração de energia elétrica atualmente são hidráulica, biomassa (bagaço de cana, etanol, etc), carvão mineral, nuclear, gás natural e petróleo. Atualmente, aproximadamente 40% da energia no Brasil provém do petróleo, 10% do gás natural, 6% do carvão e o restante de fontes renováveis (carvão, lenha, etc). No seminário chamou-se a atenção para a necessidade do uso de fontes renováveis. Destacou-se que o país possui todas as condições necessárias para a utilização da bioenergia: condições naturais favoráveis, tecnologia desenvolvida (etanol, açúcar, etc) e custo de produção relativamente baixo (o custo de produção do etanol - US$/ litro foi mensurado entre 0,22 e 0,28 no Brasil enquanto nos EUA é de 0,30 a 0,33). O segundo painel que falava da Matriz Energética brasileira enfatizou a necessidade do aproveitamento destas fontes renováveis, porém também falou da dificuldade do governo brasileiro em popularizar as tecnologias desenvolvidas aqui nos países do exterior.
Nem tudo são flores... O deputado José Carlos Aleluia que integrava o último e mais polêmico dos painéis, o de Competitividade e Crescimento, falou sobre os problemas enfrentados pelo setor: falta de comunicação com a sociedade, velocidade muito lenta das ações do governo e falta de investimento em hidroelétricas foram os pontos citados. Quanto à falta de comunicação com a sociedade, o deputado referia-se à necessidade das empresas do setor serem mais bem-vistas, desenvolvendo programas sociais. Uma empresa exemplar neste quesito é a CEMIG, indicada por 7 anos consecutivos ao Dow Jones Sustainability World Index. Quanto à indústria, as maiores reclamações são em relação aos encargos cobrados, causando diminuição da competitividade em relação ao exterior.
E agora? Algumas sugestões! Bom, não adianta nada reclamar sem sugerir soluções! O seminário também serviu para levantar algumas ações corretivas como: disciplinar encargos setoriais, realinhamento tarifário, opção pela hidroeletricidade, legislação ambiental, eliminação de obstáculos regulatórios para investimento em autogeração, entre outros. A maior preocupação por parte dos órgãos governamentais sendo a mudança para fontes de energia renováveis e para a indústria, o foco em diminuição de tributos.
Veja também:

3 comments:

Marcello said...

Cláudia, lendo seu artigo sobre os riscos de apagão e a matriz energética brasileira tentei fazer uma ligação com a necessidade do país de crescer a 5% a 7% ao ano. Para crescer o país precisa de energia, e muita energia. Garantir o fornecimento de energia e preço atrativo é base para atrair investimentos externos em vários setores da indústria. Imagine a necessidade de energia de um páis como a China que vem crescendo a 9% ao ano há muito tempo.

Veja também:
http://cafecomeconomia.blogspot.com/2006/06/energia-i-conflitos-e-oportunidades.html

Paulo said...

Cláudia, você não acha que o Governo deveria fomentar mais a utilização do álcool, bem como expandir rapidamente a exploração de nossas bacias de gás natural?

Clau Komamura said...

Paulo, eu não só acho que o governo deveria fomentar a utilização do álcool como combustível como uma alternativa, como acredito que nos próximos anos a tendência será cada vez mais a popularização do uso do mesmo ao redor do planeta. A primeira opção, claro, ainda são as bacias hidrográficas, mas com a escassez das mesmas (as mais bem localizadas geograficamente já estão sendo exlploradas, sem falar das mudanças climáticas que estão afetando o planeta cada vez mais) acredito que seja necessário desenvolver alternativas menos agressivas ao meio ambiente.

Abs