Wednesday, October 25, 2006

O voto afetando o microempresário

Eu escrevi este breve artigo há algum tempo com o intuito de relacionar a Economia ao empreendedorismo no Brasil. Está baseado no estudo do SEBRAE intitulado “Sobrevivência e mortalidade das empresas paulistanas de 1 a 5 anos” que nos ajuda a entender a importância do desenvolvimento da Economia nos pequenos negócios. A cada ano, somente no Estado de São Paulo, são fechadas cerca de 78 mil novas empresas, acabando com 281 mil empregos. A boa notícia é que há quatro anos, a taxa de mortalidade dessas empresas era de 71% e hoje é de 56%. Isso indica que as ações em prol dos pequenos negócios como programas de estímulo ao empreendedorismo e outras políticas de apoio ao segmento têm funcionado no Estado. Mais do que isso, indica também que nossa Economia em geral está melhorando.

Para que você entenda a importância do governo eleito, vejamos um exemplo. Ainda no estudo do SEBRAE, perguntou-se aos empreendedores que tiveram que fechar capital, qual teria sido o auxílio mais útil para evitar o fechamento (note que podiam ser dadas mais do que uma resposta). O resultado foi o seguinte:
  • Menos encargos e impostos (31%)
  • Consultoria empresarial (31%)
  • Melhora na Economia (30%)
  • Empréstimos bancários (19%)
  • Nenhum (17%)
  • Outros (10%)
  • Não sei (3%)

Notamos que duas respostas estão diretamente correlacionadas à Economia e aos próximos políticos a serem eleitos (não estamos falando somente de governo federal, mas também do estadual): impostos e melhora na Economia. Claro, não é só isso que vai decidir se seu empreendimento vai dar certo ou não, mas afeta grande parte dele. Os empreendedores reclamam da insuficiência de políticas de apoio (peso dos impostos, burocracia, falta de crédito e de política de compras governamentais) e do baixo desempenho da economia, gerando baixa demanda e concorrência forte.

Quando você for votar no próximo presidente ou governador, não se esqueça de tudo isso que falamos. Os governantes do país devem ter planos para manter a Economia aquecida e a inflação controlada. Parece fácil mas, acredite, não é. Lembre-se que os políticos devem ter planos bem definidos, assim como aquele que você fez para abrir seu negócio. Vote consciente, pois isso afeta seu negócio.


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3 comments:

Roberto Machado said...

Concordo contigo e também já tinha visto esta relação. Só que sinto uma dificuldade enorme em escolher os políticos porque todos os esforços e análises caem por terra quando estes dizem: Ah...eu prometi isso ou disse aquilo para conseguir ganhar. Agora que consegui a coisa é diferente. (Não estou fazendo nenhuma referência, muitos já disseram isso). Uma forma de escolher é ficar de olho na trajetória do político em questão, mas até essa foi por terra. Não há trajetória mais contraditória do que do próprio Presidente. Porém, continuo tentando definir uma nova métrica para essa escolha, mais um pouco precisaremos virar todos eleitores cientistas políticos. ;)

Marcello said...

Parece as propostas de governo apresentadas pelos dois candidatos são um tanto incompletas. Nenhum dos 2 candidatos colocou metas quantitativas para seus planos e projetos. Tão pouco quanto tempo para que sejam realizadas. Assim ficará difícil poder cobrar e/ou comparar o que foi feito com o que foi proposto. Ambos falam muito do passado e de seus governos e entram num "looping" infinito, apresentando números que são soltos, e não passam uma real idéia a nós brasileiros. Mas eles dizem e todos nós sabemos que o Brasil precisa crescer e gerar empregos. As micro e pequenas empresas são chave para isto, mas, é preciso dizer como isto será feito, e por completo, sem pacotes de "alívio" ou bondade que apenas apagam incêndios e não resolvem problemas.

Clau Komamura said...

Roberto, concordo com seu ponto de vista. Realmente num país onde as pessoas prometem, mas não cumprem fica díficil mensurar. Acho que precisamos é desenvolver mais a cultura de cobrar os políticos, fazer barulho e exigir que as promessas sejam cumpridas. Se existe governança corporativa para as empresas, por que não para o governo?