Tuesday, October 24, 2006

MP do Bem



Recente artigo publicado no jornal Valor Ecônomico mostra que a venda de PCs para as classes C e D aumentou significativamente este ano, graças à queda nos preços praticados no varejo em cerca de 17% e ao aumento do crédito para a aquisição de computadores pessoais, o que contribuiu para os resultados de empresas como: Amazon PC, Positivo e mais recentemente, CCE, que focaram suas estratégias de mercado na conquista do chamado "consumidor de baixa renda".
Tal fator foi possível principalmente após a aprovação da "MP do Bem", que reduziu a carga tributária sobre a indústria da informática e proporcionou uma diminuição no preço médio dos microcomputadores de configuração mais acessível ao consumidor final.

Os benefícios que inicialmente se mostraram mais evidentes na indústria do "hardware", começam a se estender para outros segmentos relacionados a tecnologia da informação, como os provedores de acesso à internet, empresas de comércio eletrônico, anunciantes, agências de propaganda, entre outros. Alguns exemplos para exemplificar esses dados:

A consultoria sobre comércio eletrônico e-bit divulgou no mês de setembro dados sobre a participação da "Classe C" no comércio eletrônico brasileiro: Segundo o estudo, o crescimento no varejo "on line" se deu mais fortemente entre os consumidores com renda mensal entre R$ 1.000,00 e R$ 3.000,00. Em 2001, as pessoas com renda até R$ 1.000,00/mês representavam cerca de 6% do total de transações de comércio eletrônico geradas na web brasileira, enquanto aqueles com renda entre R$ 1.000,00 e R$ 3.000,00 foram responsáveis por cerca de um terço das vendas realizadas na rede. Em 2006, esses números cresceram para 8% e 37%, respectivamente, enquanto que, entre os consumidores com renda entre R$ 3.000,00 e R$ 8.000,00 se registrou uma queda de aproximadamente 2% no volume de transações no período.
Outro fator que mostra a mudança no perfil dos consumidores é a escolaridade dos usuários: A participação dos consumidores com curso superior ou pós-graduação caiu 2 pontos percentuais, ao passo que entre aqueles com apenas o ensino médio se notou um forte crescimento, contribuindo para a comercialização de produtos com "tíquete médio" de cerca de R$ 30,00 (CDs, DVDs, livros e cosméticos), que impulsionaram ainda mais o crescimento de sites como Submarino e Americanas. com, que juntos movimentarão este ano algo em torno de 2,2 bilhões de reais.
Outro dado que mostra essa nova realidade são os números apresentados pela e-bit sobre os resultados das vendas do Dia das Crianças realizadas pela internet, com um crescimento de 80% sobre o volume no mesmo período do ano passado.

Quem também vem se beneficiando desta situação são os provedores de acesso via banda larga, que em 2006 registram crescimento constante em sua base de assinantes, como a Telefónica com o serviço Speedy, que já responde pela liderança no mercado de São Paulo, oferecendo alguns pacotes de acesso diferenciados, através de planos de assinatura com valores reduzidos, embora ainda a oferta desse serviço não esteja disponível em muitos dos bairros periféricos das cidades em que o Speedy é oferecido, mas isso com certeza mudará em breve, já que a procura pela "internet de alta velocidade" vem crescendo muito entre os internautas da Classe C.

Esta situação não vem passando desapercebida às agências de publicidade, que já notaram o aumento da audiência nos grandes portais e nos sites de diversos anunciantes, principalmente àqueles com conteúdo multimidia, o que comprova o crescimento no acesso de banda larga por parte dos internautas brasileiros. Diante disso, os investimentos em mídia on line tiveram um aumento de 31,85% em relação ao ano passado, chegando a 158 milhões de reais, conforme dados do projeto "Inter-Meios".

O que podemos concluir através dessas notícias ?

Que o brasileiro de baixa renda está se "informatizando" e se qualificando para as exigências cada vez maiores do mercado de trabalho ?

Que o Brasil vem democratizando o acesso à informação para o cidadão de baixa renda, através do acesso facilitado à computadores e à internet ?

Que as empresas já perceberam que a internet é um excelente local para se fazer negócios, vender e se relacionar com seus clientes e quem não investir em e-commerce e e-marketing deverá ser "deletado" do mercado ?

Que reduzindo impostos e permitindo que as empresas trabalhem num ambiente de competição saudável todos só tem a ganhar ?

Se você disse sim para todas, então você pensa como eu. Queira Deus que o próximo presidente, seja quem for, também pense assim.

3 comments:

Leonardo said...

Bom nao li tudo mas me baseei que vcs estao falando de carga tributária sobre o equipamento eletrônico.

Eu trabalho em uma empresa que prove soluções de redes e mexo com equipamentos sendo analisando quais são os melhores para a solução quanto cotando os preços.. e realmente a carga tributária come as possibilidades uma vez que nosssa caga tributária é alta... dizem que os preços que recebemos são acrescidos de no minimo 45% por causa disso e olha que eh mais ou menos verdade.. eu achoque eh ainda maior..

vendemos equipamentos para a Embratel com 46% de desconto mas após colocadas as taxas e inclusive a margem de lucro da empresa um equipamento pode triplicar seu preço... é muito ruim isso...

E é claro... uma vez que vc abaixa esta carga tudo fica mais barato... nao tem como =D

Marcello said...

Marcel, acho que o(s) programa(s) de inclusão digital devem continuar a se expandir tanto através da iniciativa privada como governo. Quando o cidadão quer seja estudante, dona de casa, ou trabalhador em geral, tem acesso a computadores, mídias, internet, amplia muito sua capacidade de comunicação, interação e educação, alinhando-se mundialmente com sociedades modernas e "digitais". Torna-se uma força que se realimenta, isto é, quanto maior a quantidade de pessoas incluídas digitalmente, melhor será a oferta de infraestrutura básica (computador, provedor) e serviços oferecidos na internet (comércio, educação, entretenimento, e-governo).

Marcel said...

Marcello e Leonardo,
Esse é só um exemplo de como pagamos impostos demais e recebemos serviços de menos por parte do governo, pois enquanto aumenta o acesso da população à informatização, por outro lado, não temos um porgrama efetivo de inclusão digital nas escolas públicas, bibliotecas ou demais órgãos, ou seja, cada um aprende a operar um micro por conta própria, sem um suporte profissional. É a mesma coisa que temos no ensino público: ensina-se a ler, escrever, mas sem qualidade, reduzindo o potencial de inclusão social dos mais carentes. Se isso ficar como está teremos no futuro duas classes de cidadão: aqueles que dominam os recursos informatizados e os outros, que apenas o acessam. Perguntem qual deles continuará no topo da pirâmide ?